JB News
Da redação
As investigações conduzidas pela Polícia Civil de Mato Grosso no âmbito da Operação Gorjeta, deflagrada na manhã da última terça-feira, 28 de janeiro de 2026, em Cuiabá, indicam que ao menos seis vereadores da capital teriam destinado aproximadamente R$ 5,5 milhões em emendas parlamentares a entidades supostamente utilizadas em um esquema de lavagem de dinheiro e associação criminosa. Segundo os investigadores, os recursos públicos foram encaminhados ao Instituto Brasil Central e à BRAC, organizações que estão no centro das apurações e são apontadas como peças-chave na engrenagem financeira do esquema.
De acordo com informações obtidas pela Polícia Civil, figuram entre os investigados o vereador Chico 2000 (PL), Luiz Fernando (Republicanos), Cássio Coelho (Podemos), Wilson Quero-Quero (PMB), Lilo Pinheiro (PP) e Didi Um Vovô (PSB). As apurações apontam que os parlamentares, em tese, teriam utilizado o mecanismo das emendas parlamentares para direcionar recursos públicos às entidades investigadas, que posteriormente fariam a movimentação financeira com indícios de ocultação e dissimulação da origem do dinheiro.
Ainda conforme a investigação, o esquema funcionaria por meio da destinação formal de emendas a projetos e ações supostamente sociais, educacionais ou institucionais. No entanto, a Polícia Civil apura se esses serviços eram efetivamente prestados ou se parte significativa dos valores retornava aos envolvidos por meio de contratos simulados, pagamentos a empresas de fachada, repasses indiretos e saques fracionados, caracterizando, em tese, lavagem de dinheiro. O dinheiro retornaria aos beneficiários finais de forma pulverizada, dificultando o rastreamento pelos órgãos de controle.
A Operação Gorjeta cumpriu mandados de busca e apreensão em diversos endereços, incluindo gabinetes na Câmara Municipal de Cuiabá, residências e locais ligados aos investigados. Um dos principais desdobramentos da ação foi o afastamento do vereador Chico 2000 de suas funções parlamentares por determinação judicial, pelo prazo inicial de 30 dias. A Polícia Civil também apreendeu documentos, equipamentos eletrônicos e materiais que agora passam por análise pericial para aprofundar o mapeamento do fluxo financeiro e das possíveis ramificações do esquema.
As investigações seguem sob sigilo parcial e não estão descartados novos desdobramentos, como o indiciamento de outros agentes públicos, empresários e intermediários. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o esquema tenha operado de forma continuada, utilizando recursos públicos de maneira sistemática ao longo do tempo, o que pode elevar o montante total investigado.
Em nota e manifestações públicas, a Câmara Municipal de Cuiabá informou que cumpriu integralmente as determinações judiciais e afirmou que a instituição não é alvo direto da operação, mas colaborará com as autoridades sempre que solicitada. A Polícia Civil reforça que todos os citados são investigados e que a responsabilização criminal dependerá da conclusão do inquérito e da análise do Ministério Público e do Judiciário.