JB News
Foto : PCMT
Por Emerson Teixeira
Mesmo preso, líder de facção comandava bairros de cuiabá e vira alvo de operação com bloqueio milionário
Uma ofensiva da Polícia Civil de Mato Grosso escancarou, nesta terça-feira (5), a atuação de uma liderança de facção criminosa que, mesmo atrás das grades, continuava ditando regras e tentando expandir o domínio do crime em bairros estratégicos de Cuiabá. A Operação Roleta Russa foi deflagrada nas primeiras horas do dia com o objetivo de desarticular o núcleo responsável por tráfico de drogas, extorsão e lavagem de dinheiro, revelando um esquema que movimentou cifras milionárias nos últimos anos.
Ao todo, foram expedidas 12 ordens judiciais, incluindo dois mandados de prisão preventiva — um deles contra o próprio líder faccionado, que já está custodiado na Penitenciária Central do Estado (PCE), e outro contra o primo dele, apontado como braço direito na execução das ordens criminosas fora da cadeia. Até o momento, a operação contabiliza um preso em liberdade capturado e um investigado que permanece detido por força de novo mandado, expedido justamente para impedir sua progressão ao regime semiaberto.

Além das prisões, a Justiça autorizou três mandados de busca e apreensão, o sequestro de um veículo de luxo e o bloqueio de contas bancárias que pode alcançar até R$ 10 milhões. As medidas atingem diretamente a estrutura financeira do grupo, considerada peça-chave para manutenção das atividades ilícitas.
As investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) apontam que o líder da facção utilizava sua influência dentro do sistema prisional para coordenar ações criminosas, com foco no controle territorial em regiões como os bairros Planalto e Altos da Serra. De dentro da unidade, ele articulava o tráfico de drogas, ordenava cobranças de extorsão e negociava diretamente com fornecedores internacionais, incluindo contatos ligados à Bolívia.
O esquema funcionava com divisão de tarefas. Enquanto o líder emitia ordens de dentro da prisão, o primo executava as determinações nas ruas, garantindo a expansão da facção e o controle das atividades ilegais. Paralelamente, a organização mantinha um sofisticado sistema de lavagem de dinheiro, que teria movimentado mais de R$ 20 milhões em apenas três anos.
A apuração também revelou o uso de familiares para ocultação de patrimônio. A esposa do investigado, mesmo sem renda formal, levava uma vida de alto padrão, com imóveis, bens valiosos e veículo de luxo — agora alvo de sequestro judicial. Contas bancárias ligadas ao grupo foram bloqueadas, incluindo a de uma advogada que já havia sido investigada em operação anterior, indicando possível ramificação do esquema em diferentes setores.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo Cuiabá, após representação do delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, responsável pela investigação. Segundo a Polícia Civil, a operação integra um planejamento mais amplo de enfrentamento ao crime organizado no Estado.
A ação faz parte da Operação Pharus, inserida no programa Tolerância Zero, e também está alinhada à estratégia nacional da Renorcrim, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O objetivo é sufocar financeiramente e desarticular as cadeias de comando das facções, atingindo tanto a liderança quanto a base operacional.

O avanço das investigações indica que, mesmo com lideranças encarceradas, as facções seguem estruturadas e ativas, utilizando tecnologia, intermediários e redes financeiras para manter o controle de territórios e ampliar seus lucros ilícitos. A ofensiva desta terça-feira evidencia uma tentativa das forças de segurança de romper esse ciclo, mirando diretamente o comando e o fluxo de dinheiro que sustentam o crime organizado em Cuiabá.