Max Russi vê prejuízos à saúde pública com transferência do Hospital Júlio Müller para Santo Antônio, e destaca ser favorável a revogação da lei, VEJA O VÍDEO
JB News
Por Nayara Cristina
MUDANÇA TERRITORIAL
“Assembleia não vai aceitar prejuízo à saúde pública”, diz Max Russi sobre possível transferência do Hospital Júlio Müller.
A possível transferência da gestão e da área territorial do Hospital Universitário Júlio Müller, tradicionalmente vinculado a Cuiabá, para o município vizinho de Santo Antônio de Leverger, acendeu um dos debates mais sensíveis da política mato-grossense nas últimas semanas. O tema foi discutido em reunião na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, com a presença de deputados estaduais, representantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), direção do hospital e do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini.
No centro da controvérsia está um projeto de lei de autoria do deputado Wilson Santos que trata da redefinição de limites territoriais envolvendo áreas estratégicas, incluindo a região onde está instalado o novo Hospital Júlio Müller e o entorno do Morro de Santo Antônio. A proposta gerou reação imediata da Prefeitura de Cuiabá e de parte expressiva dos parlamentares estaduais.
Durante entrevista à imprensa, o presidente da Assembleia, Max Russi, foi enfático ao afirmar que o Parlamento não admitirá qualquer medida que represente prejuízo à saúde pública. “A Assembleia vai trabalhar um projeto que pode ter algum erro técnico, mas jamais vai trabalhar um projeto que possa trazer prejuízo à saúde pública do nosso estado e a um hospital referência como o Júlio Müller”, declarou.
Segundo Russi, uma nova reunião está prevista para esta sexta-feira, coordenada pelo autor do projeto, com participação de técnicos e representantes envolvidos, para aprofundar o debate e buscar um encaminhamento que possa ser votado na próxima semana. O presidente destacou que a decisão final dependerá da maioria dos deputados, mas reforçou que é necessário delimitar de forma clara e técnica qualquer redefinição de divisas, evitando insegurança jurídica no futuro.
A preocupação central levantada pelo prefeito Abílio Brunini envolve a viabilidade financeira e administrativa da mudança. De acordo com ele, o Hospital Júlio Müller demanda mais de R$ 350 milhões por ano para manutenção e funcionamento. Em contrapartida, o orçamento anual de Santo Antônio de Leverger gira em torno de pouco mais de R$ 100 milhões. Para o prefeito, a disparidade demonstra que o município vizinho não teria capacidade financeira para absorver um equipamento de saúde dessa magnitude.
Abílio também alertou para o risco de desorganização da rede de saúde da Capital, já pressionada por alta demanda regional. Ele avalia que a eventual transferência poderia gerar “confusão administrativa” e comprometer o planejamento estratégico da saúde pública em Cuiabá.
A UFMT também se posicionou contrária a qualquer medida que comprometa a estrutura e o funcionamento do hospital universitário, que além de atender pacientes de todo o estado, cumpre papel fundamental na formação de profissionais da saúde. O Júlio Müller é referência em atendimentos de média e alta complexidade e integra a rede pública federal vinculada à universidade.
Outro ponto sensível do debate envolve o Morro de Santo Antônio, considerado um dos principais cartões-postais do estado. Max Russi defendeu que o morro permaneça com o município de Santo Antônio, como forma de fortalecer o turismo local, mas ponderou que a questão do hospital exige tratamento distinto e mais cauteloso.
O presidente da Assembleia ainda comentou sobre o andamento das obras do novo Hospital Júlio Müller, classificadas como avançadas. Segundo informações apresentadas pelo diretor da unidade, a expectativa é concluir a obra até dezembro deste ano. Caso o cronograma sofra ajustes, a inauguração pode ocorrer no início do próximo ano. “É um hospital federal, da universidade, com profissionais capacitados que vai ajudar muito a saúde do nosso estado”, afirmou Russi.
Nos bastidores, o debate ultrapassa a mera redefinição territorial. Parlamentares ouvidos nos corredores da Assembleia apontam que uma mudança mal estruturada pode provocar impactos financeiros, administrativos e até federativos, considerando que se trata de um hospital universitário com gestão complexa e integração com políticas públicas estaduais e federais.
Enquanto a discussão avança, a sociedade acompanha com atenção. A possível transferência do Hospital Júlio Müller expõe um dilema maior: como reorganizar limites territoriais e interesses municipais sem fragilizar um dos principais pilares da saúde pública em Mato Grosso.
A nova rodada de negociações promete ser decisiva. O recado dado pela presidência da Assembleia é claro: qualquer alteração só avançará se houver segurança jurídica, viabilidade técnica e, principalmente, garantia de que não haverá prejuízo ao atendimento da população.
Veja :
https://youtu.be/FRLT1URzxes?si=Png7u9JLU8MOHpek