Pressão por saneamento expõe embate político e escancara crise no DAE em Várzea Grande
JB News
Da Redação
O debate sobre saneamento básico dominou a sessão ordinária desta terça-feira (28) na Câmara Municipal de Várzea Grande, transformando o plenário em palco de um confronto direto entre base governista e oposição. No centro da discussão, a tentativa de acelerar a aprovação de um projeto considerado estratégico para aliviar a crise financeira do Departamento de Água e Esgoto (DAE) e destravar investimentos na cidade.
O líder da prefeita no Legislativo, vereador Bruno Rios (PL), elevou o tom ao cobrar prioridade na tramitação do projeto de lei que institui o Programa de Regularização Fiscal (Refis) do DAE. A proposta, protocolada no dia 30 de março, prevê a renegociação de dívidas dos contribuintes com a autarquia e é vista pela base como uma das principais alternativas para recompor o caixa do órgão, hoje considerado financeiramente fragilizado.
Durante sua fala, o parlamentar não apenas defendeu a urgência da matéria, como também colocou em xeque a postura da oposição, questionando os critérios adotados para barrar ou retardar a votação. Segundo ele, o argumento de impedimentos regimentais não se sustenta diante de precedentes em que projetos foram analisados e aprovados no mesmo dia. “Não venho aqui para atacar ninguém, mas precisamos de coerência. Já vimos projetos tramitarem com celeridade nesta Casa. Por que agora não pode? É a lei da conveniência?”, disparou.
Bruno Rios foi além ao expor a situação crítica do DAE, classificando a autarquia como “falida” e sem recursos suficientes para manter e ampliar os serviços básicos. Ele alertou que, sem a aprovação de medidas emergenciais, a população continuará enfrentando dificuldades no abastecimento de água e na expansão da rede de saneamento. “Os munícipes estão esperando e têm pressa. O cidadão precisa de melhorias agora, de ampliação da rede e de serviços com mais qualidade. O DAE precisa de recursos para continuar funcionando”, afirmou.
O vereador também antecipou que uma nova proposta deve ser enviada em breve ao Legislativo, solicitando autorização para a transferência direta de recursos da Prefeitura ao DAE. A medida, segundo ele, será fundamental para garantir fôlego financeiro à autarquia e viabilizar ações estruturais no sistema de saneamento do município.
Em tom de cobrança, o líder governista reforçou que a discussão ultrapassa interesses políticos e deve ser tratada como prioridade absoluta. “A pergunta que fica é: a prioridade aqui é o cidadão ou não? Não estou pedindo urgência por mim ou pela prefeita, mas pela população, que quer serviço de qualidade”, concluiu.
A sessão evidenciou não apenas a gravidade da situação do saneamento em Várzea Grande, mas também a dificuldade de construção de consenso dentro do Legislativo municipal. Enquanto a base pressiona por celeridade para destravar recursos e melhorar os serviços, a oposição mantém resistência quanto à tramitação acelerada, ampliando o impasse em torno de um tema que impacta diretamente o cotidiano da população.