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Katiúscia Manteli diz que regimento inviabiliza reeleição de Paula Calil, confirma apoio a Ilde Taques e admite costura com oposição na Câmara de Cuiabá

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Katiúscia Manteli diz que regimento inviabiliza reeleição de Paula Calil, confirma apoio a Ilde Taques e admite costura com oposição na Câmara de Cuiabá

JB News

Por Nayara Cristina

A corrida pelo comando da Câmara de Cuiabá já provocou um terremoto político nos bastidores do Legislativo municipal e abriu uma disputa interna que ameaça dividir a base do prefeito Abílio Brunini antes mesmo do início oficial do processo eleitoral da Mesa Diretora. O embate ganhou novos capítulos após declarações da vereadora Katiúscia Manteli, que saiu em defesa do vereador Ilde Taques e rejeitou publicamente qualquer tentativa de alteração no regimento interno da Casa para permitir uma eventual reeleição da atual presidente Paula Calil.

O debate ganhou força após articulações de bastidores indicarem que aliados da atual presidente estudariam mudanças regimentais para possibilitar sua permanência por mais dois anos no comando do Legislativo. Hoje, porém, o regimento interno não permite reeleição consecutiva para a presidência da Câmara, o que impede Paula Calil de disputar novamente o cargo nas regras atuais. Além disso, nos bastidores jurídicos e políticos, existe ainda discussão sobre a viabilidade temporal de uma eventual alteração. Mesmo que a mudança fosse aprovada, há dúvidas se ela poderia valer já para a próxima eleição da Mesa ou apenas para legislaturas futuras, o que aumentou ainda mais a tensão entre os grupos políticos.

Durante entrevista, Katiúscia Manteli deixou claro que votará contra qualquer mudança no regimento neste momento. Segundo ela, o vereador Ilde Taques iniciou as articulações pela presidência ainda no começo da legislatura e construiu apoios internamente antes mesmo do atual movimento em torno da possível permanência de Paula Calil. A vereadora afirmou que mantém compromisso político com o correligionário do Podemos e reforçou que mudanças nas regras da disputa durante o processo poderiam gerar desgaste institucional dentro da Câmara.

Nos bastidores, o nome de Ilde Taques passou a ganhar musculatura justamente após o enfraquecimento de outras pré-candidaturas que chegaram a ser ventiladas dentro da base governista. Um dos primeiros nomes colocados na disputa foi o do vereador Dilemário Alencar, que inicialmente buscava viabilizar uma candidatura própria à presidência da Câmara. No entanto, aliados reconhecem que o parlamentar acabou perdendo espaço político diante da capacidade de articulação construída por Ilde Taques entre vereadores de diferentes grupos da base. A leitura interna é de que Taques conseguiu consolidar apoios estratégicos antes dos demais concorrentes e passou a ocupar posição de protagonismo na disputa.

Outros nomes também chegaram a circular nos corredores da Câmara como possíveis alternativas para a sucessão de Paula Calil, mas as movimentações acabaram não evoluindo. Enquanto algumas pré-candidaturas perderam força por falta de apoio consolidado, outras acabaram esbarrando justamente no receio de enfrentamento direto entre grupos ligados ao prefeito Abílio Brunini. O resultado foi um cenário de concentração política em torno de Ilde Taques e, paralelamente, uma articulação de aliados que defendem a continuidade do atual modelo administrativo implantado por Paula Calil.

Apesar de se posicionar contra a mudança regimental, Katiúscia fez questão de elogiar publicamente a condução da atual presidente da Câmara. Segundo ela, Paula Calil promoveu mudanças administrativas importantes, elevou o rigor no cumprimento do regimento interno, combateu atrasos nas sessões e fortaleceu a participação coletiva da Mesa Diretora. A vereadora destacou ainda que a gestão feminina fez história no Parlamento cuiabano e afirmou que Paula se tornou referência administrativa dentro da Casa.

Mesmo assim, Katiúscia ressaltou que a discussão não pode ser tratada apenas como uma pauta de continuidade feminina no comando do Legislativo. Segundo ela, uma futura composição dificilmente manteria uma Mesa integralmente formada por mulheres, o que esvaziaria o discurso de preservação histórica da atual formação. Para a parlamentar, o centro da discussão precisa permanecer na legalidade do processo e no respeito às regras atuais do Parlamento.

Outro ponto que aumentou a temperatura política foi a informação de que setores ligados ao Executivo teriam demonstrado desconforto com diálogos de Ilde Taques junto a vereadores da oposição. Sobre isso, Katiúscia rebateu as críticas e afirmou que qualquer candidato à presidência precisa buscar votos em todos os campos políticos da Câmara. Ela classificou como natural o diálogo com vereadores oposicionistas e afirmou que nenhuma candidatura se viabiliza sem ampla articulação política.

A vereadora também demonstrou ceticismo quanto à aprovação de uma eventual mudança no regimento. Segundo ela, ainda não existem os 18 votos necessários para aprovar a alteração e justamente por isso nenhuma proposta foi oficialmente protocolada até agora. A avaliação nos bastidores é que uma derrota em plenário poderia expor fragilidade política do grupo favorável à mudança e implodir de vez a tentativa de construção da reeleição.

Com isso, a disputa pela Mesa Diretora deixa de ser apenas uma eleição interna e passa a representar um teste de força dentro da própria base do prefeito Abílio Brunini. O cenário atual revela uma Câmara dividida entre os defensores da manutenção das regras atuais e aqueles que desejam preservar a continuidade política e administrativa da gestão Paula Calil. Enquanto isso, Ilde Taques emerge como o nome mais consolidado da disputa até aqui, após sobreviver às movimentações de bastidores e assistir ao esvaziamento gradual de outras candidaturas que chegaram a ensaiar entrada na corrida pelo comando do Legislativo cuiabano.

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