ASSASSINADO A TIROS

Justiça manda prender mandantes da morte de Zampieri e transforma nove em réus

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Justiça manda prender mandantes da morte de Zampieri e transforma nove em réus

JB NEWS

Por Emerson Teixeira

A Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia do Ministério Público Estadual contra nove investigados pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri e abriu uma nova fase de um dos casos mais emblemáticos da história recente do Estado. Na mesma decisão, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou a prisão preventiva da empresária Elenice Ballarotti Laurindo, apontada pela acusação como uma das mandantes do crime. Posteriormente, a ordem de prisão acabou sendo suspensa por decisão liminar durante o plantão judicial.

Com o recebimento da denúncia, passam a responder formalmente à ação penal Aníbal Manoel Laurindo, Elenice Ballarotti Laurindo, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, Hedilerson Fialho Martins Barbosa, Antônio Gomes da Silva, Gilberto Louzada da Silva, Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater. Os acusados responderão por crimes que incluem homicídio qualificado e participação em organização criminosa.

Roberto Zampieri foi executado na noite de 5 de dezembro de 2023, quando chegava ao seu escritório, localizado no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. O advogado foi surpreendido por disparos de arma de fogo e morreu ainda no local. Desde então, o caso passou a mobilizar forças estaduais e federais de investigação devido à complexidade dos fatos e aos desdobramentos que surgiram ao longo da apuração.

De acordo com as investigações, a morte teria sido motivada por uma disputa envolvendo a posse de uma fazenda avaliada em cerca de R$ 100 milhões. A acusação sustenta que o crime foi planejado com antecedência e executado por uma estrutura organizada, composta por financiadores, intermediários e executores contratados para eliminar o advogado.

Entre os denunciados estão pessoas apontadas como integrantes do núcleo responsável pelo planejamento e pela execução do homicídio. O coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas é apontado como financiador da ação criminosa. Já Hedilerson Fialho Martins Barbosa teria atuado como intermediador entre os mandantes e os executores. Antônio Gomes da Silva é acusado de ser o autor dos disparos que mataram o advogado. As investigações indicam ainda que outros integrantes do grupo teriam participado da logística, monitoramento, pagamentos e ocultação de provas.

A denúncia também descreve a existência de uma organização que teria atuado para impedir o avanço das investigações após o assassinato. Segundo o Ministério Público, integrantes do grupo teriam articulado pagamentos de altos valores para garantir que participantes da trama permanecessem em silêncio e não revelassem informações sobre os mandantes e demais envolvidos. Essa suposta tentativa de obstrução da Justiça foi um dos elementos utilizados para justificar pedidos de medidas cautelares contra parte dos investigados.

Apesar da gravidade do homicídio, o caso ganhou proporções nacionais por um motivo que ultrapassa a própria execução. Durante a investigação, a Polícia Federal teve acesso ao conteúdo do celular de Roberto Zampieri. A análise do aparelho revelou milhares de mensagens, documentos, registros financeiros e conversas que passaram a indicar a existência de uma suposta rede de influência e negociação de decisões judiciais.

As informações encontradas no celular desencadearam investigações que resultaram no afastamento de desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, além da abertura de procedimentos envolvendo magistrados, advogados, empresários e servidores públicos. Os desdobramentos alcançaram inclusive gabinetes de tribunais superiores e passaram a ser acompanhados por órgãos de controle e pelo Supremo Tribunal Federal.

O material extraído do aparelho deu origem a uma série de operações e procedimentos que colocaram Mato Grosso no centro de uma das maiores investigações sobre suspeitas de corrupção no sistema de Justiça brasileiro. Em meio às apurações, mensagens atribuídas a Zampieri passaram a ser analisadas por investigadores por supostamente indicar negociações relacionadas a processos judiciais de grande valor econômico.

Agora, com a aceitação da denúncia contra os nove acusados, a investigação entra em uma nova etapa. A partir deste momento, a Justiça passará a analisar as provas reunidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público para definir a responsabilidade individual de cada réu. Enquanto isso, os desdobramentos decorrentes do conteúdo encontrado no celular de Zampieri continuam avançando em diferentes instâncias do Judiciário.

Mais de dois anos após o crime, o assassinato de Roberto Zampieri permanece como um dos casos mais impactantes da história recente de Mato Grosso, não apenas pela execução de um advogado conhecido no meio jurídico, mas pelos reflexos que suas investigações produziram dentro do próprio sistema de Justiça brasileiro.