Júri condena faccionados a 237 anos por tortura, sequestro e execução de trabalhadores nordestinos em MT

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JB News por Nayara Cristina O Tribunal do Júri de Rondonópolis, a 212 km de Cuiabá, impôs uma das penas mais altas dos últimos tempos em um caso ligado à atuação de facção criminosa no Sul de Mato Grosso. Marcelo Lourenço da Silva e Wesley Mesquita (ou Musquim) de Souza foram condenados a 118 anos e 6 meses de prisão cada, somando 237 anos de reclusão, após o Conselho de Sentença reconhecer a participação direta da dupla em uma sequência de crimes que incluiu sequestro e cárcere privado contra 14 vítimas, tortura e três homicídios triplamente qualificados.  A condenação, anunciada nesta sexta-feira (30 de janeiro), decorre de um julgamento realizado na véspera em Rondonópolis — embora alguns relatos divirjam sobre a data exata da sessão, apontando quinta-feira (29) ou (30).  Em plenário, os jurados acolheram as teses acusatórias e reconheceram, nos assassinatos, as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas, o que elevou o rigor da pena.  O caso ganhou repercussão desde 2024, quando as investigações apontaram que 14 trabalhadores vindos do Nordeste foram privados de liberdade, amarrados, levados para diferentes pontos da cidade e submetidos a agressões, ameaças e intenso sofrimento físico e psicológico. A apuração indicou que o grupo criminoso buscava impor medo, ostentar poder e obter informações, reproduzindo um padrão de “controle” típico de organização armada.  Três das vítimas acabaram mortas de forma brutal: Antônio José dos Santos Filho, Renan (ou Renanda) do Nascimento Barreto e Talisson (ou Talison) Ferreira da Silva.  A Polícia Civil, ainda em 2024, deflagrou operação mirando os envolvidos no sequestro e nas mortes, detalhando que as vítimas foram levadas a locais distintos e que os corpos foram abandonados após as execuções.  Em setembro daquele ano, o Ministério Público ofereceu denúncia abrangendo sete investigados, incluindo Marcelo Lourenço da Silva e Wesley Mesquita (Musquim) de Sousa, apontando que os crimes ocorreram nos dias 30 e 31 de maio de 2024, com privação de liberdade das 14 vítimas e a prática de tortura, além dos homicídios contra três delas.  A ação penal avançou e, em janeiro de 2025, o próprio MP registrou a realização de audiência de instrução e julgamento no caso, reforçando que os fatos teriam sido articulados por integrantes de organização criminosa e que os acusados respondiam por sequestro qualificado, tortura e homicídios qualificados.  No julgamento que resultou na condenação de 237 anos, a sentença somou penas por diferentes crimes. Conforme reportado, além dos 30 anos para cada um dos três homicídios, os réus receberam punições específicas por integração em organização criminosa armada, bem como por sequestro/cárcere privado qualificado e tortura, levando ao total de 118 anos e 6 meses para cada condenado.  O caso, que começou com o desaparecimento e a captura coletiva das vítimas, consolidou-se como um retrato da violência imposta por facções em disputas de domínio e intimidação social. A condenação, na avaliação de investigadores e fontes judiciais ouvidas pelos veículos locais, representa uma resposta dura do sistema de Justiça diante de crimes cometidos com extrema crueldade e com impacto direto na sensação de segurança da população.