JB News
por Nayara Cristina
Foto Emerson Teixeira-JB News
A Operação Gorjeta, deflagrada nesta semana, ganhou um novo e decisivo desdobramento e passou a colocar sob suspeita não apenas o vereador afastado Chico 2000, mas também outros seis parlamentares da Câmara Municipal de Cuiabá. O juiz Cássio Leite de Barros Neto, do Núcleo de Justiça do Juiz das Garantias, determinou a realização de uma auditoria completa nas emendas parlamentares destinadas ao Instituto Brasil Central (IBRACE), entidade que está no centro das investigações.
A decisão judicial atende a pedido da investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECOR), que apura um esquema de desvio de recursos públicos oriundos de emendas impositivas destinadas, oficialmente, ao custeio de eventos esportivos em Cuiabá. Conforme os autos, ao menos 12 emendas parlamentares, que somam cerca de R$ 4,8 milhões, serão alvo da auditoria determinada pela Justiça.
Do total, sete emendas, no valor aproximado de R$ 3,65 milhões, são de autoria do vereador Chico 2000, que foi afastado do cargo por decisão judicial e teve bens bloqueados, assim como o próprio instituto investigado. Outras emendas também entram na lista de apuração, incluindo três de autoria do vereador Cezinha Nascimento, do União Brasil, que totalizam cerca de R$ 728 mil; uma emenda no valor de R$ 100 mil atribuída ao vereador conhecido como Didi “Um Vovô”; além de uma emenda de R$ 350 mil do ex-vereador Luiz Fernando, todas pagas entre 2023 e 2025, segundo a investigação.
Também serão auditadas emendas vinculadas aos vereadores Cássio Coelho, Lilo Pinheiro, Wilson Quero-Quero e Rodrigo Arruda de Sá, cujos repasses ao IBRACE agora passam por uma varredura detalhada determinada pela Justiça. Entre os recursos sob análise está ainda uma emenda de 2023 relacionada à “6ª Corrida Pela Vida”, sem autoria claramente identificada, além de outros valores vinculados a eventos esportivos e corridas de rua realizadas na capital.
De acordo com as investigações, embora o dinheiro das emendas fosse oficialmente destinado ao IBRACE, quem de fato organizava e executava os eventos era a empresa Shiroli Sports, comandada pelo empresário João Neri Shiroli, que, segundo a apuração, atuava como representante informal do instituto. Após o recebimento dos recursos públicos, os valores seriam pulverizados por meio de transferências e pagamentos diversos, prática que levanta suspeitas de desvio, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
A Operação Gorjeta investiga crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, tendo como vítimas diretas a Câmara Municipal de Cuiabá e a Secretaria Municipal de Esporte. Além do afastamento de Chico 2000, a ação resultou no afastamento de dois servidores do Legislativo municipal e no cumprimento de mandados contra outros investigados, incluindo Rubens Volo Júnior, assessor parlamentar, Joacy Conceição Silva, além de Alex Jones Silva, presidente do IBRACE, e Magali Galnaf Felismino Shiroli, esposa de João Shiroli.
Com a determinação judicial, a auditoria nas emendas amplia o alcance da Operação Gorjeta e coloca sob escrutínio direto a atuação de sete vereadores da atual legislatura de Cuiabá. A Justiça busca agora esclarecer se os repasses seguiram critérios legais, se houve desvio de finalidade e qual foi o real destino dos recursos públicos envolvidos no esquema investigado.