Investigação aponta pagamento de R$ 215 mil pela execução do advogado Renato Nery em Cuiabá

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JB News por Nayara Cristina As investigações sobre o assassinato do advogado Renato Gomes Nery ganharam um novo e importante capítulo após a Polícia Civil de Mato Grosso rastrear movimentações financeiras que apontam para um pagamento de cerca de R$ 215 mil supostamente destinado à execução do jurista, morto a tiros em frente ao próprio escritório em 2024, em Cuiabá. De acordo com as apurações conduzidas pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a movimentação financeira teria sido realizada pela empresária Julinere Goulart Bentos, apontada nas investigações como uma das mandantes do crime. A quebra de sigilo bancário revelou uma série de transferências realizadas em março que, segundo os investigadores, podem estar diretamente ligadas ao pagamento pela execução do advogado. Os dados bancários indicam que no dia 4 de março foi transferido um valor aproximado de R$ 200 mil, quantia que teria sido pulverizada por contas de terceiros com o objetivo de dificultar o rastreamento do destino final do dinheiro. Parte desse valor teria passado pelas mãos do intermediário Jackson Pereira Barbosa, apontado como elo financeiro entre os mandantes e os executores do crime. Segundo a investigação, Jackson utilizou parte dos recursos para adquirir um veículo Mercedes-Benz avaliado em cerca de R$ 115 mil, registrado em nome de um terceiro, o que levanta suspeitas de tentativa de ocultação patrimonial. Além disso, ele teria transferido R$ 40 mil para a conta da própria mãe no dia 8 de março, movimentação considerada suspeita pelos investigadores. Ainda conforme a Polícia Civil, houve também um pagamento direto de R$ 15 mil feito por Julinere a Jackson, sem intermediação de outras contas, elevando o montante identificado pelos investigadores para aproximadamente R$ 215 mil. As movimentações financeiras coincidem com depoimentos colhidos durante o inquérito. O policial militar envolvido na investigação e o executor do crime, identificado como Alex Roberto de Queiroz Silva, afirmaram em depoimentos que o valor combinado para a execução do advogado teria sido de aproximadamente R$ 200 mil, cifra semelhante ao total identificado nas transferências bancárias.  O assassinato ocorreu no dia 5 de julho de 2024, quando Renato Nery, então com 72 anos, foi surpreendido por disparos de arma de fogo ao chegar ao escritório localizado na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. O advogado foi socorrido e submetido a cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois.  Considerado um dos juristas mais conhecidos do estado, Renato Nery havia presidido a seccional mato-grossense da Ordem dos Advogados do Brasil e atuava em causas de grande repercussão no estado. As investigações apontam que o crime teria sido motivado por uma disputa judicial envolvendo uma área rural de mais de 12 mil hectares localizada no município de Novo São Joaquim, região leste de Mato Grosso.  Segundo o Ministério Público, o advogado teria obtido êxito em uma longa batalha judicial relacionada à área, que se arrastava há décadas e envolvia interesses milionários. A vitória jurídica teria provocado forte inconformismo entre os envolvidos na disputa fundiária, o que teria levado à decisão de eliminar o advogado.  A apuração também revelou a existência de uma estrutura criminosa organizada, com divisão de tarefas entre mandantes, intermediários, executores e pessoas responsáveis por ocultar provas. A investigação identificou diferentes núcleos dentro da organização, incluindo o núcleo de comando — responsável por planejar o crime —, o núcleo financeiro, os intermediários e os executores.  Além do homicídio qualificado por motivo torpe e promessa de recompensa, os investigadores agora analisam se as movimentações financeiras identificadas podem configurar também crime de lavagem de dinheiro, já que parte dos valores foi transferida por meio de contas de terceiros e utilizada na compra de bens para ocultar a origem dos recursos. O caso segue sob investigação e já resultou em diversas prisões ao longo das fases das operações conduzidas pela Polícia Civil. Entre os detidos estão policiais militares, intermediários e suspeitos de participação direta na execução do crime. Para investigadores que acompanham o caso, o rastreamento do dinheiro pode se tornar uma das provas mais contundentes do inquérito, ajudando a esclarecer quem financiou e como foi estruturado o pagamento pela morte de um dos advogados mais conhecidos de Mato Grosso. Mesmo com os avanços da investigação, a morte de Renato Nery continua causando forte repercussão no meio jurídico e político do estado, principalmente pela complexidade do esquema criminoso e pela quantidade de pessoas suspeitas de envolvimento no assassinato.