Ana Paula Figueiredo
Deputado afirma que grupo propõe reajuste maior em 2025 e parcelamento do passivo salarial, critica resistência do governo e alerta para impacto político
O deputado estadual Júlio Campos (UB) afirmou que um grupo de parlamentares articula a apresentação de uma emenda ao projeto do Reajuste Geral Anual (RGA) dos servidores públicos de Mato Grosso para garantir não apenas o índice legal de 4,26%, mas também um percentual adicional ainda neste ano, como forma de iniciar a recomposição das perdas acumuladas.
Segundo o parlamentar, a proposta em discussão prevê que o reajuste de 2025 chegue a cerca de 10%, somando o índice previsto em lei a um percentual negociado, enquanto o restante do RGA atrasado seria quitado de forma parcelada nos anos de 2027 e 2028. “Estamos estudando uma solução justa, que comece agora e permita ao governo quitar o passivo salarial no médio prazo”, explicou.
Júlio Campos argumentou que a situação fiscal do Estado permite um reajuste maior. Ele destacou que o orçamento de 2025 foi subdimensionado e que a arrecadação superou amplamente as previsões iniciais. “O Estado previa arrecadar 38 bilhões, mas teve receita líquida acima de 50 bilhões e receita bruta de cerca de 70 bilhões, conforme dados da própria Secretaria de Fazenda. Não faz sentido negar uma compensação salarial ao servidor público, que é quem toca o Estado”, afirmou.
O deputado reconheceu que, do ponto de vista constitucional, a iniciativa para conceder reajuste salarial cabe ao Executivo, mas ressaltou que a emenda tem caráter político e simbólico. “O Legislativo não decide sozinho, mas pode sensibilizar o governador e mostrar que há boa vontade em fazer justiça social com os servidores”, disse.
Ele também criticou a postura do governador Mauro Mendes, que declarou não recuar na proposta de reajuste. “Achei uma fala dura. O Estado fechou 2024 com cerca de 11 bilhões de reais em caixa. Não há motivo para esse enfrentamento com o funcionalismo”, avaliou.
Júlio Campos alertou ainda para o risco de desgaste político caso não haja diálogo. “Servidor público não elege ninguém, mas derrota quem ele quer. São mais de 100 mil servidores, entre ativos, inativos e pensionistas, que representam centenas de milhares de eleitores”, pontuou.
Para o deputado, o ideal seria evitar greves e conflitos institucionais. “O caminho correto é o entendimento. Há uma defasagem grande nos salários e isso precisa ser enfrentado agora, enquanto o Estado tem capacidade financeira”, concluiu.
A emenda ao RGA começou a ser discutida nos bastidores da Assembleia Legislativa e conta com o apoio de deputados de diferentes bancadas. A expectativa é que o tema seja levado ao plenário nos próximos dias, ampliando a pressão sobre o governo para reabrir a negociação com os servidores.