Execução de jovem em barbearia escancara avanço do crime organizado e consolida Sorriso como epicentro da violência em MT

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JB News Por Nayara Cristina A execução de Gustavo Henrique Silva Cerute, de 20 anos, dentro de uma barbearia no bairro São José 1, em Sorriso, na noite deste sábado, 31 de janeiro de 2026, evidencia de forma brutal o avanço do crime organizado e a escalada da violência no município. O assassinato, cometido em um local público, com extrema frieza e elevado número de disparos, reforça o clima de insegurança vivido pela população e expõe a guerra aberta entre facções criminosas que disputam território na região. O crime ocorreu por volta das 20h40. Segundo informações apuradas pela Polícia Civil, Gustavo estava sentado, cortando o cabelo, quando dois homens chegaram ao local em uma motocicleta. O passageiro desceu rapidamente, entrou no estabelecimento e efetuou diversos disparos à queima-roupa contra a vítima, sem dar qualquer chance de reação. A ação foi rápida, precisa e com características claras de execução, indicando planejamento prévio e possível motivação ligada ao crime organizado. Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas, mas apenas puderam constatar a morte. No interior da barbearia, mais de dez cápsulas deflagradas foram encontradas espalhadas pelo chão, o que demonstra a violência do ataque e o risco imposto também a outras pessoas que estavam próximas no momento do crime. O local foi imediatamente isolado para os trabalhos da perícia técnica, que realizou os levantamentos necessários para subsidiar as investigações. De acordo com a Polícia Civil, Gustavo Henrique possuía passagens criminais por tráfico de drogas e era apontado como integrante de uma facção criminosa que vem se fortalecendo no estado de Mato Grosso, o Comando Vermelho. Essa informação reforça a principal linha investigativa, que trata o homicídio como resultado direto da disputa entre organizações criminosas rivais, em um cenário de retaliações, cobranças internas e disputas por pontos estratégicos ligados ao tráfico de drogas. Após o assassinato, equipes policiais realizaram diligências nas imediações do bairro São José 1 e em outras regiões da cidade na tentativa de localizar os autores do crime, mas até o momento nenhum suspeito foi identificado ou preso. A investigação agora entra em uma fase mais técnica, com foco na análise de imagens de câmeras de segurança de estabelecimentos comerciais e residências próximas, além de possíveis registros de câmeras de monitoramento urbano que possam ter flagrado a chegada ou a fuga dos criminosos. O caso está sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, que trabalha com a hipótese de execução ligada diretamente à guerra entre facções. A Polícia Civil também deve ouvir testemunhas e pessoas próximas à vítima para tentar reconstruir os últimos passos de Gustavo e entender se havia ameaças recentes ou conflitos que possam ter motivado o crime. Sorriso, conhecida nacionalmente como a capital do agronegócio, vive um paradoxo cada vez mais evidente. Enquanto cresce economicamente, o município enfrenta um aumento expressivo nos índices de violência, homicídios e crimes ligados ao tráfico de drogas. Casos como o assassinato de Gustavo Henrique reforçam a percepção de que a cidade tem se consolidado como um dos principais palcos da violência em Mato Grosso, exigindo respostas mais duras e estratégias mais eficazes do poder público no enfrentamento ao crime organizado. A Polícia Civil segue investigando o caso e não descarta novas prisões nos próximos dias, à medida que as análises técnicas avancem e novas informações sejam reunidas.