CRISE SEM FIM

Empréstimo irregular e pedalada fiscal colocam gestão de Flávia Moretti na mira do TCE: “é muito grave”, diz Sérgio Ricardo

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Empréstimo irregular e pedalada fiscal colocam gestão de Flávia Moretti na mira do TCE: “é muito grave”, diz Sérgio Ricardo

JB News

Da Redação

Crise sem fim em Várzea Grande expõe guerra política, suspeitas fiscais e pressão por investigação


A instabilidade política e administrativa em Várzea Grande voltou ao centro do debate público nesta quarta-feira ao ser abordada pelo presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Sérgio Ricardo, durante evento que discutia o novo Plano Diretor de Cuiabá. Ao ser questionado sobre o cenário do município vizinho, o conselheiro não evitou o tom crítico e reforçou que a cidade vive um momento de desgaste contínuo, marcado por conflitos políticos, dificuldades administrativas e suspeitas que já estão sob análise dos órgãos de controle.


Segundo ele, qualquer indício de irregularidade envolvendo recursos públicos deve ser investigado com rigor, destacando que o Tribunal de Contas atua diretamente sempre que há sinais de possível má gestão. Nesse contexto, confirmou que há procedimentos em andamento relacionados à administração da prefeita Flávia Moretti, incluindo denúncias que envolvem desde a condução fiscal até decisões administrativas consideradas sensíveis.


Entre os pontos mais delicados, está a apuração de uma possível irregularidade envolvendo operações financeiras da Prefeitura sem autorização da Câmara Municipal, o que, se confirmado, pode configurar grave violação das normas de responsabilidade fiscal. O caso já passou por análise técnica dentro da Corte de Contas e resultou na notificação formal da prefeita, que agora precisa apresentar esclarecimentos dentro do prazo estipulado pelos auditores.


O cenário se agrava com a informação de que o Ministério Público também teria solicitado autorização ao Tribunal de Justiça para investigar a gestora, com base em relatórios da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Decor), que apontam suspeitas envolvendo a estrutura do Departamento de Água e Esgoto (DAE). A crise no abastecimento de água, inclusive, foi citada por Sérgio Ricardo como um dos símbolos mais evidentes do colapso administrativo enfrentado pela cidade.


Em tom de indignação, o conselheiro afirmou não admitir que um município com mais de um século e meio de história ainda conviva com problemas básicos de infraestrutura, como a falta de água. Ele cobrou planejamento, projetos concretos e ações efetivas para enfrentar o problema, destacando que discussões políticas estéreis têm atrasado soluções que impactam diretamente a população.


Ao ampliar a análise, Sérgio Ricardo criticou o ambiente de conflito permanente entre os poderes municipais, classificando o cenário como uma “guerra política” que paralisa decisões e impede avanços. Segundo ele, o excesso de disputas internas tem resultado em prejuízos concretos, como obras que não saem do papel, serviços que não avançam e uma administração que não consegue responder às demandas mais urgentes da população.


A crise em Várzea Grande se arrasta desde o início da atual gestão e já acumulou episódios de forte tensão institucional, incluindo embates diretos entre o Executivo e a Câmara Municipal, além do pedido de renúncia do vice-prefeito Tião da Zaeli, que evidenciou o nível de instabilidade política dentro da própria estrutura de governo.


O presidente do Tribunal de Contas também revelou que novas denúncias continuam chegando à Corte e devem ser analisadas nos próximos meses, o que indica que o cerco institucional pode se ampliar. Ele reforçou que, diante de qualquer suspeita de malversação de recursos públicos, a atuação dos órgãos de controle será firme, sobretudo quando há impacto direto na qualidade de vida da população.


Diante desse cenário, Várzea Grande segue imersa em um ciclo de incertezas, onde disputas políticas, investigações em curso e dificuldades administrativas se misturam, ampliando a sensação de crise permanente e colocando ainda mais pressão sobre a atual gestão para apresentar respostas concretas e imediatas.

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