OPERAÇÃO RAGNATELA

Empresário vira réu por suposto esquema de entrada de celulares na PCE de Cuiabá

· 2 min de leitura
Empresário vira réu por suposto esquema de entrada de celulares na PCE de Cuiabá

JB News

Por Emerson Teixeira

A Justiça de Mato Grosso marcou para o dia 21 de julho de 2026 a audiência de instrução do empresário Willian Aparecido da Costa Pereira, conhecido como “Gordão”, investigado em um processo que apura um suposto esquema de entrada ilegal de celulares na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. O caso também envolve o policial penal Luiz Otavio Natalino, apontado pelo Ministério Público Estadual como participante das negociações investigadas.


Conforme a denúncia apresentada pelo MPMT, o policial responde pelos crimes de corrupção passiva e tráfico de influência, enquanto o empresário é acusado de corrupção ativa, sob a suspeita de ter oferecido vantagens financeiras para facilitar a entrada de aparelhos telefônicos dentro da maior unidade prisional de Mato Grosso.


O nome de Willian já havia aparecido anteriormente durante a Operação Ragnatela, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um esquema milionário de lavagem de dinheiro supostamente ligado à facção criminosa Comando Vermelho. Agora, ele volta ao centro das investigações em um caso que expõe possíveis irregularidades dentro do sistema penitenciário estadual.


Durante depoimento prestado no processo, o empresário apresentou uma versão diferente da sustentada pela acusação. Segundo ele, teria sido enganado por um detento conhecido pelo apelido de “Playboy”, que supostamente se apresentava falsamente como policial penal para aplicar golpes financeiros em pessoas interessadas em benefícios dentro da prisão.


Willian afirmou que chegou a transferir cerca de R$ 2,5 mil acreditando que o valor seria utilizado para viabilizar a entrada dos celulares na PCE. Posteriormente, segundo seu relato, percebeu que estava sendo vítima de uma fraude arquitetada pelo preso.


Ainda de acordo com a versão apresentada pelo empresário, o mesmo detento também cobraria aproximadamente R$ 30 mil por preso para facilitar transferências internas no sistema penitenciário. Ele relatou ainda que o suspeito utilizava nomes de autoridades da Segurança Pública para dar aparência de legitimidade ao esquema, citando inclusive o então diretor da PCE, Winkler de Freitas Teles, e o ex-secretário de Segurança Pública Alexandre Bustamante.


A defesa tentou barrar o andamento da ação alegando supostas falhas na denúncia e ausência de acesso completo ao material digital apreendido durante as investigações. No entanto, o juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra rejeitou os argumentos e manteve o prosseguimento do processo, entendendo que a acusação apresentada pelo Ministério Público atende aos requisitos previstos em lei.


Apesar de negar o encerramento da ação, o magistrado determinou que a Polícia Civil disponibilize no prazo de até dez dias todos os arquivos e mídias coletados ao longo da investigação, permitindo que a defesa tenha acesso integral ao conteúdo reunido pelas autoridades.