SONO DA MORTE

Empresária foi morta durante o sono e enterrada no quintal diz MP; acusado vira réu em Cuiabá

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Empresária foi morta durante o sono e enterrada no quintal diz MP; acusado vira réu em Cuiabá

JB News

Por Emerson Teixeira

A Justiça de Mato Grosso aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual contra Jackson Pinto da Silva, de 38 anos, acusado de assassinar a esposa, a empresária Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos, em um crime que chocou Cuiabá pela frieza e pela tentativa de ocultação dos fatos. Com a decisão da 14ª Vara Criminal da Capital, o investigado passa oficialmente à condição de réu e responderá pelos crimes de feminicídio qualificado, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime.  


Segundo a denúncia do Ministério Público, Nilza foi morta por asfixia mecânica enquanto dormia, circunstância que, conforme a acusação, impediu qualquer possibilidade de defesa por parte da vítima. O órgão sustenta que o assassinato teve motivação patrimonial e aponta que o acusado vinha adotando medidas para assumir o controle dos bens e recursos financeiros da empresária. As investigações identificaram movimentações bancárias consideradas suspeitas realizadas antes e depois da morte da vítima.  


O caso veio à tona após familiares estranharem versões apresentadas por Jackson sobre o desaparecimento da empresária. Inicialmente, ele procurou a polícia alegando que a esposa estava desaparecida e, posteriormente, afirmou estar sendo alvo de extorsão por supostos sequestradores. A narrativa, no entanto, começou a ruir diante das inconsistências encontradas pelos investigadores durante os depoimentos e diligências realizadas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).  


Conforme a apuração policial, após matar a esposa, Jackson teria transportado o corpo para outro imóvel pertencente à vítima, onde providenciou a abertura de uma cova profunda no quintal para esconder o cadáver. Para isso, contratou um serviço de escavação e teria informado ao operador da máquina que o buraco seria utilizado para uma obra de drenagem.  


As investigações também apontam que o acusado tentou sustentar a falsa versão de que Nilza ainda estava viva. Segundo a Polícia Civil, ele utilizou o celular da própria empresária para enviar mensagens a familiares e chegou a divulgar imagens que davam a entender que ela estaria bem, numa tentativa de afastar suspeitas e retardar a descoberta do crime.  


O comportamento do suspeito levantou ainda mais dúvidas durante os interrogatórios. Confrontado com contradições e evidências reunidas pelos investigadores, Jackson acabou confessando o assassinato e indicou o local onde o corpo havia sido enterrado. Em depoimento à imprensa após a prisão, ele admitiu o crime, alegando conflitos familiares e problemas no relacionamento, embora a linha principal da investigação continue apontando para motivação financeira.  


Agora, com o recebimento da denúncia pela Justiça, o processo entra em uma nova fase. O Ministério Público busca levar o acusado ao Tribunal do Júri e também requereu a fixação de indenização mínima em favor dos familiares da empresária pelos danos provocados pelo crime. Enquanto a ação penal avança, Jackson permanece preso preventivamente à disposição do Judiciário.