JB News
Por Emerson Teixeira
Do local Guilherme Augusto
A morte da adolescente Olga Beatriz de Santo Silva, de apenas 12 anos, chocou Mato Grosso e mobilizou as forças de segurança pública neste fim de semana. A menina morreu na noite de domingo após dar entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Verdão, em Cuiabá, depois de ter sido encontrada gravemente ferida em uma residência no bairro Serra Dourada, em Várzea Grande. O principal suspeito do crime é o próprio pai da vítima, que acabou preso em flagrante e autuado por feminicídio.
De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil, Olga havia passado o fim de semana na casa do pai. As apurações apontam que, após retornar de uma confraternização familiar realizada em homenagem ao avô da adolescente, o homem teria iniciado uma discussão com a filha depois de acessar conversas dela em uma rede social.
Segundo relato prestado pelo suspeito aos policiais, ele não teria gostado do conteúdo das mensagens trocadas pela adolescente com um garoto. A discussão evoluiu para agressões e, conforme a versão apresentada por ele, houve um momento em que segurou a filha pelo pescoço. A menina sofreu graves lesões e começou a sangrar intensamente.
A delegada Jéssica Cristina de Assis, responsável pela lavratura do flagrante, explicou que a investigação identificou vestígios de sangue no quarto onde a agressão ocorreu, além de manchas na bermuda utilizada pelo suspeito. Os materiais foram recolhidos pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) para análise.
Segundo a delegada, um dos fatores que pesaram para o enquadramento por feminicídio foi o fato de o suspeito ter abandonado a vítima sem prestar socorro. Conforme as investigações, após a agressão ele deixou a residência e fugiu do local, enquanto a adolescente permanecia ferida. Olga foi encontrada posteriormente por familiares, que perceberam sua ausência e iniciaram buscas na residência. Ela ainda apresentava sinais vitais quando foi localizada e foi levada às pressas para atendimento médico, mas não resistiu.
A Polícia Civil destaca que o suspeito já possuía histórico de violência doméstica e havia sido alvo de medida protetiva relacionada à mãe da adolescente. Para os investigadores, esse histórico reforça a linha de apuração que aponta para um crime praticado em contexto de violência contra a mulher.
O delegado Bruno Abreu Nilson Farias afirmou que a investigação está sendo conduzida com rigor técnico para evitar qualquer brecha jurídica. Exames periciais foram requisitados para esclarecer todas as circunstâncias da morte, incluindo a possibilidade de eventual violência sexual, hipótese que ainda não possui confirmação e será esclarecida por laudos periciais.
Bruno destacou que o trabalho da Polícia Civil busca reunir provas científicas capazes de sustentar a responsabilização criminal independentemente de futuras mudanças na versão apresentada pelo investigado. Entre os elementos analisados estão vestígios biológicos, marcas de luta no imóvel e os laudos necroscópicos que deverão apontar a causa exata da morte.

Após fugir da residência, o suspeito teria sido convencido por um conhecido a se apresentar espontaneamente na Delegacia Especializada da Mulher de Várzea Grande. No local, ele recebeu voz de prisão. Equipes da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Polícia Militar já realizavam diligências para localizá-lo quando a apresentação ocorreu.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil. Os laudos da Politec serão considerados fundamentais para definir todos os detalhes da dinâmica do crime e embasar a conclusão do inquérito policial. Enquanto isso, a morte de Olga Beatriz provoca comoção entre familiares, amigos e moradores da região, que tentam compreender como uma adolescente de apenas 12 anos teve a vida interrompida de forma tão violenta dentro do ambiente que deveria representar proteção e segurança.
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