JB News
por Nayara Cristina
O MDB, partido que acaba de completar seis décadas de protagonismo na política nacional — com direito a sessão solene no Congresso Nacional celebrando seus 60 anos de história — atravessa, em Mato Grosso, um dos momentos mais delicados de sua trajetória recente. Entre perdas de quadros importantes, indefinições internas e dificuldades na montagem de chapas proporcionais, a sigla tenta se reorganizar em meio a um cenário de instabilidade e disputa por sobrevivência política.
Historicamente marcado por sua força eleitoral e capilaridade, o MDB já governou estados, participou de decisões centrais da República e teve papel determinante em momentos-chave da democracia brasileira. No entanto, no cenário atual mato-grossense, o partido enfrenta um esvaziamento que tem impactado diretamente a construção de chapas competitivas, tanto para deputado federal quanto estadual.
Desde que a deputada Janaína Riva assumiu protagonismo dentro da legenda e lançou seu nome como pré-candidata ao Senado, o partido passou a conviver com um efeito colateral: a saída de lideranças e a insegurança entre filiados. Nomes de peso deixaram a sigla recentemente, como Juarez Costa, que migrou para o Republicanos, e Emanuelzinho, que se filiou ao PSDB. O movimento acendeu um alerta interno sobre a capacidade do MDB de formar chapas robustas e competitivas.
A chamada “velha guarda” também já não apresenta a mesma força de articulação. O deputado Carlos Bezerra, figura histórica da legenda, vive um momento de retração política, com indefinições inclusive sobre seu futuro eleitoral. Esse vácuo de liderança tem ampliado as dificuldades na organização partidária.
Em meio a esse cenário, o deputado estadual Dr. João expôs, em entrevista, a realidade enfrentada pelo partido. Segundo ele, a dificuldade na formação de chapas não é exclusividade do MDB, mas atinge especialmente as disputas federais. “A dificuldade de montagem de chapa é de todo mundo, principalmente de federal”, afirmou, comparando o processo à construção de “um edifício pela metade”, sinalizando a complexidade e a falta de segurança no fechamento das nominatas.
Dr. João também deixou claro que o ambiente interno ainda é de incerteza, com filiados oscilando entre permanecer e sair do partido. “De manhã diz que fica, à tarde diz que sai”, relatou, evidenciando o clima de instabilidade. Para ele, apenas o prazo final de filiações deverá trazer clareza sobre quem realmente permanecerá na legenda. O deputado citou casos recentes como exemplos desse vai e vem, reforçando que a decisão dos parlamentares tem sido pautada por cálculos individuais de viabilidade eleitoral — uma análise fria sobre onde há mais chances de vitória.
Apesar do cenário turbulento, o MDB tenta reagir apostando em novos nomes. Um dos pontos destacados por Dr. João é a possível entrada da irmã de Janaína Riva na disputa eleitoral. Filha do ex-deputado José Riva, ela surge como uma alternativa para reforçar o grupo político dentro do partido. No entanto, ainda não há definição sobre qual será seu papel: se disputará uma vaga na Assembleia Legislativa, na Câmara Federal ou sequer será candidata.
“Temos três opções: ela ficar em casa, ser candidata a federal ou estadual. Estamos estudando o que é melhor para o partido”, explicou o parlamentar, indicando que a decisão será estratégica e baseada na viabilidade eleitoral. Apesar da indefinição, ele reconheceu o potencial do nome: “Ela é um bom nome, sem dúvida nenhuma”.
O desafio, no entanto, vai além de lançar candidaturas. A preocupação central dentro do MDB é saber se esses novos nomes terão capacidade de atrair votos suficientes para fortalecer a chapa como um todo — fator decisivo no sistema proporcional. Sem essa capacidade de aglutinação, o risco é repetir o cenário atual: perda de espaço político e dificuldade de eleger representantes.
Enquanto celebra seu passado de protagonismo nacional, o MDB em Mato Grosso enfrenta um presente de incertezas e um futuro que dependerá, sobretudo, de sua capacidade de reorganização interna. Entre saídas, dúvidas e apostas em herdeiros políticos, a sigla tenta evitar que a crise nas chapas proporcionais se transforme em um colapso eleitoral nas próximas eleições.
Veja :
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