Contas públicas afundam e governo Lula projeta maior rombo fiscal desde 1994

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Ana Paula Figueiredo Projeções do Banco Central indicam rombo médio de 8,6% do PIB entre 2023 e 2026   O Brasil deve encerrar o atual mandato presidencial, em 2026, com o maior déficit nominal médio desde a implementação do Plano Real, em 1994. A projeção é do Banco Central e considera os quatro anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), incluindo gastos extraordinários e o pagamento de precatórios. De acordo com os dados, o déficit nominal médio previsto para o período de 2023 a 2026 é de 8,6% do Produto Interno Bruto (PIB). O número representa um aumento de quase 90% em relação ao déficit de 4,6% registrado em 2022, último ano do governo anterior. Para efeito de comparação, os déficits médios por mandato presidencial foram de 6,0% entre 1995 e 1998; 4,0% entre 1999 e 2002; 3,8% de 2003 a 2006; 2,6% entre 2007 e 2010; 5,5% no período de 2011 a 2016; 7,4% entre 2017 e 2018; e 7,0% de 2019 a 2022. Especialistas atribuem o cenário atual ao crescimento dos gastos primários federais, que tiveram aumento real acumulado de 12% em 2023 e 2024, além das promessas de ampliação de despesas feitas durante a campanha eleitoral de 2022. Diferentemente do primeiro mandato de Lula, quando o superávit primário chegou a 3,2% do PIB em 2003, o governo atual registra déficit de cerca de 1,4% do PIB já no primeiro ano, mesmo sem considerar despesas extraordinárias. O economista Ricardo Hausmann, ainda em 2010, avaliou que o bom desempenho do primeiro governo Lula esteve associado às condições herdadas da gestão anterior, cenário que não se repete no atual mandato. Analistas avaliam que, enquanto governos passados puderam atribuir parte do desequilíbrio fiscal a contextos herdados, os números atuais refletem decisões tomadas pela própria gestão. Segundo especialistas, a manutenção do elevado nível de gastos, sem medidas efetivas de controle fiscal, pode levar o país a um cenário de forte restrição orçamentária nos próximos anos, ampliando os riscos para a economia brasileira.