MORTA NA REPRESA

Ciúmes, disputa por patrimônio e fim do relacionamento: investigação revela bastidores do feminicídio da professora Adélia em MT

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Ciúmes, disputa por patrimônio e fim do relacionamento: investigação revela bastidores do feminicídio da professora Adélia em MT

JB News

Por Emerson Teixeira

O feminicídio da professora Adélia Cristina de Oliveira Batista, encontrado morto em uma represa na zona rural de Castanheira, ganhou novos contornos após o avanço das investigações da Polícia Civil. O delegado Luiz Camargo, responsável pelo caso em Juína, confirmou que o crime teria sido motivado por uma combinação de ciúmes, inconformismo com o fim do relacionamento e interesses patrimoniais, apontando que o suspeito não aceitava perder a companheira nem o padrão de vida que mantinha durante a união.

Adélia desapareceu após deixar de manter contato com familiares e pessoas próximas, fato que rapidamente despertou preocupação. A ausência incomum mobilizou buscas e levou moradores da região do 4º Assentamento, onde ela residia, a alertarem as forças de segurança sobre movimentações consideradas suspeitas nas proximidades da propriedade.

Durante as diligências, equipes da Polícia Civil, com apoio da Polícia Militar, intensificaram as buscas na área rural. Em uma represa localizada nos fundos do assentamento, os policiais encontraram o corpo da professora submerso. A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foi acionada para realizar os primeiros levantamentos no local, enquanto o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde exames periciais confirmaram indícios compatíveis com homicídio.

A partir da análise da cena do crime, dos depoimentos de testemunhas e do cruzamento de informações, os investigadores concentraram as suspeitas em Joel Laureano Ferreira, que mantinha um relacionamento com a vítima. Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos durante as investigações demonstraram que o homem não aceitava a separação e vinha apresentando comportamento possessivo em relação à professora.

Na tarde desta quarta-feira (1º), apenas dois dias após a localização do corpo, Joel foi localizado e preso em flagrante. Conforme o delegado Luiz Camargo, as investigações apontam que o suspeito, que trabalhava como vaqueiro na região, dependia financeiramente da vítima e temia perder os benefícios econômicos proporcionados pela relação.

Segundo o delegado, além da motivação financeira, a investigação identificou forte componente emocional no crime. “A investigação seria uma divergência patrimonial, já que a vítima estava querendo se separar e ele não estava aceitando a situação por dois motivos. Primeiro, patrimônio. Parecia que a vítima tinha uma condição patrimonial melhor do que a dele e por questões de ciúmes”, afirmou.

Outro ponto considerado decisivo para o esclarecimento do caso foi a rápida mobilização da comunidade. De acordo com a Polícia Civil, Joel teria tentado dar sequência ao plano criminoso e ocultar completamente o cadáver, mas não conseguiu concluir a ação porque moradores perceberam comportamentos incomuns e acionaram imediatamente as autoridades.

“O alarme desencadeado pela vizinhança fez com que ele não tivesse tempo de ocultar o cadáver. Quando a comunidade começou a avisar a Polícia Militar e a Polícia Civil, ele abandonou essa empreitada criminosa”, explicou Luiz Camargo.

A prisão ocorreu após uma força-tarefa que reuniu equipes policiais em diligências ininterruptas desde o desaparecimento da professora. Com os elementos já reunidos, Joel foi autuado inicialmente por feminicídio qualificado. No entanto, a Polícia Civil ressalta que o enquadramento jurídico poderá ser ampliado conforme novas provas forem produzidas durante o andamento do inquérito.

As investigações prosseguem para esclarecer toda a dinâmica do crime, confirmar a cronologia dos fatos, identificar se houve eventual premeditação e verificar se outras circunstâncias poderão agravar ainda mais a responsabilização criminal do suspeito. O inquérito deverá ser concluído após a realização das perícias complementares, oitivas de testemunhas e demais diligências determinadas pela autoridade policial.

O caso provocou forte comoção em Castanheira e em toda a região noroeste de Mato Grosso, reacendendo o debate sobre a violência contra a mulher e os crimes praticados por ex-companheiros inconformados com o término de relacionamentos. A investigação aponta, até o momento, que Adélia foi vítima de um feminicídio motivado pela mistura de ciúmes, sentimento de posse e interesses patrimoniais, circunstâncias que deverão sustentar a acusação apresentada pelo Ministério Público após a conclusão do inquérito policial.

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