Cargo de chefia na Prefeitura de Cuiabá acende alerta sobre autonomia partidária do PL em Mato Grosso, presidente nega pressão “Quem manda não precisa estar falando”, VEJA O VÍDEO
JB News
por Jota de Sá
O presidente estadual do Partido Liberal em Mato Grosso, Ananias Filho, negou de forma enfática qualquer interferência do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, nas decisões internas do partido. A declaração ocorre em meio a um debate crescente nos bastidores da sigla, motivado pelo fato de Ananias ocupar, simultaneamente, o cargo de chefe de governo na administração municipal da capital.
A discussão ganhou força com a aproximação das eleições de 2026, especialmente da disputa pelo Governo do Estado, quando o PL deverá definir estratégias, alianças e posicionamentos políticos. Setores do partido avaliam que a posição administrativa do presidente poderia gerar algum tipo de pressão indireta, fazendo com que decisões partidárias esbarrem nos interesses do Executivo cuiabano.
Ananias Filho, no entanto, afirma que essa leitura não corresponde à realidade. Segundo ele, o prefeito Abílio Brunini não participa de reuniões partidárias, não opina sobre estratégias eleitorais e não possui qualquer poder de decisão dentro da estrutura do PL. O dirigente sustenta que nenhuma liderança partidária — seja senador, deputado, prefeito, vice-prefeito ou vereador — tem prerrogativa para interferir de forma isolada na condução da legenda.
O presidente estadual ressalta que as decisões do PL em Mato Grosso são construídas de forma coletiva, com diálogo permanente entre as diversas lideranças do partido. Ele afirma manter conversas constantes com parlamentares, prefeitos e dirigentes regionais, incluindo o senador Wellington Fagundes, além de deputados e vereadores da sigla, como parte do processo natural de organização partidária.
Ananias também destaca que todas as definições estratégicas do PL mato-grossense são tratadas em alinhamento com a direção nacional. Segundo ele, há diálogo frequente com Valdemar Costa Neto, e nenhuma articulação relevante — sobretudo aquelas que envolvem outros partidos — ocorre sem o conhecimento do comando nacional da legenda.
Apesar das negativas, o tema segue sendo acompanhado com atenção por lideranças partidárias. Cuiabá é considerada uma praça eleitoral estratégica, e o peso político do prefeito da capital naturalmente o coloca como uma figura influente no cenário estadual. Para críticos internos, mesmo sem interferência direta, a proximidade institucional pode gerar ruídos e alimentar desconfianças.
Ananias Filho reafirma que sua atuação à frente do PL é independente de sua função administrativa. Segundo ele, Abílio Brunini é ouvido apenas como uma liderança política, assim como outros prefeitos do partido, sem qualquer poder deliberativo. O dirigente reforça que seu cargo na Prefeitura de Cuiabá não interfere e não interferirá nas definições partidárias.
O episódio expõe um PL marcado por diferentes correntes internas e projetos políticos diversos, que tendem a se intensificar à medida que o calendário eleitoral avança. Ao negar a interferência do prefeito, Ananias busca estancar ruídos internos e reforçar a imagem de autonomia partidária em um momento decisivo para os rumos da legenda em Mato Grosso.
Veja :
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