JB News
por Jota de Sá
A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026 já começa sob tensão, dividindo o campo da direita e reacendendo debates sobre o peso das denúncias no processo eleitoral. Mesmo com o histórico de acusações envolvendo rachadinha, suposto enriquecimento ilícito e investigações que marcaram o período em que foi deputado estadual, aliados sustentam que o filho do ex-presidente tem força para enfrentar Lula nas urnas e se manter competitivo no cenário nacional.
Dentro da direita, que até então apresentava quatro nomes em rotação — Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior — a entrada de Flávio reorganiza o tabuleiro político. O movimento acirra disputas internas por liderança e obriga o bloco conservador a definir quem será o rosto do campo bolsonarista em 2026, em um confronto direto com o PT, que deve lançar Lula como candidato único da esquerda.
Em entrevista, o deputado federal Nelson Barbudo (PL-MT) saiu em defesa pública de Flávio Bolsonaro e afirmou que as denúncias, embora usadas politicamente contra o senador, não configuram condenação e não serão empecilho para a disputa presidencial.
“O Flávio tem condenação? Não tem. A população vai ouvir muita coisa, mas quantas mentiras já imputaram contra Jair Bolsonaro? Isso será mais uma. Não existe sentença transitada em julgado”, argumentou Barbudo.
O parlamentar foi mais longe ao comparar o tratamento da imprensa em casos envolvendo a família Bolsonaro e o presidente Lula. Para ele, há dois pesos e duas medidas na cobertura nacional.
“Uma parte da imprensa é podre. Não vemos falar do Banco Master. Sumiu da mídia. E os 300 mil por mês do filho do presidente? Ninguém noticia. Agora, se fosse 30 mil do Flávio, estava em todas as manchetes”, disparou.
A fala reflete o clima de embate que deve marcar a eleição de 2026: a direita tenta se unificar enquanto o discurso anticorrupção volta ao centro da campanha, agora com as denúncias trocando de lugar entre rivais. Barbudo encara o desgaste como inevitável, mas não suficiente para barrar o avanço do senador.
Nos bastidores, aliados dizem que Flávio busca consolidar base, costurar apoios e assumir o protagonismo do bolsonarismo, herdando votos do pai e tentando resistir ao desgaste judicial. A pré-campanha ainda não foi oficializada, mas deve ganhar corpo no início de 2026.
Se confirmado, o cenário eleitoral promete ser um dos mais polarizados desde 2018, com acusações cruzadas, briga interna pela liderança da direita e um país que retorna ao centro do palco mundial com um embate direto entre Lula e Bolsonaro — agora pelos filhos.
Veja :
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