JB News
De Brasília, Marcos Antônio Padilha
Glauber Braga acusa “ofensiva golpista”, denuncia censura e compara tratamento a aliados de Bolsonaro em entrevista explosiva
Brasília — O início da noite desta terça-feira, 9 de dezembro de 2025, terminou com o clima político em ebulição no Congresso Nacional. Horas após ocupar a mesa da presidência e paralisar os trabalhos da Câmara Federal, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) reapareceu diante de câmeras e microfones para conceder uma entrevista coletiva carregada de críticas, denúncias e acusações que ampliaram o impacto do episódio que tomou conta de Brasília.
Cercado por assessores e militantes, e ainda sob forte reação de parlamentares da oposição, Glauber classificou sua retirada à força do plenário como desproporcional, política e seletiva. Ele afirmou que sua ação foi um protesto legítimo diante da inclusão de seu processo de cassação na pauta de votação desta quarta-feira, 10, e argumentou que o movimento que pede sua saída do Parlamento faz parte de uma “operação articulada” para punir setores da esquerda enquanto beneficiaria aliados da extrema-direita.
A entrevista, de pouco mais de seis minutos, foi marcada por falas inflamadas, comparações históricas, denúncias de censura institucional e críticas diretas à Mesa Diretora.
“Eu pedi apenas 1% do tratamento dado aos golpistas”, dispara Glauber
O parlamentar iniciou sua fala relembrando um episódio anterior em que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo deputados federais, ocuparam a mesa da Câmara. Segundo ele, naquele momento houve abertura para negociação, diálogo e pacificação — diferente do que ocorreu nesta terça-feira.
“A única coisa que eu pedi ao presidente da Câmara foi que tivesse 1% do tratamento que deram àqueles que sequestraram a mesa diretora por 48 horas, em associação com um deputado que estava nos Estados Unidos conspirando contra o país. Ali houve negociação, paciência, conversa. Comigo veio a força, veio a pressão. O que está em curso é uma ofensiva golpista para calar a esquerda e empurrar uma cassação como espetáculo político.”
O deputado elevou o tom, dizendo que sua cassação não é um ato isolado, mas parte de um pacote mais amplo que envolveria anistia a Jair Bolsonaro, redução de pena e manutenção de elegibilidade de Eduardo Bolsonaro — segundo ele, elementos que caminham em paralelo dentro do Congresso.
“A votação que pode me tirar do mandato por oito anos não anda sozinha. No mesmo combo querem aprovar anistia que pode reduzir a pena do Bolsonaro para dois anos. E querem garantir que Eduardo Bolsonaro continue elegível, porque quando há desligamento por faltas o mandato acaba, mas os direitos permanecem. Isso tem destino, tem endereço. A mão que pesa sobre mim é a mesma que alivia para eles.”
Glauber também mencionou o caso de Chiquinho Brazão, acusado de envolvimento no assassinato de Marielle Franco, citando que parlamentares utilizaram recursos semelhantes para preservar direitos políticos mesmo diante de denúncias graves.
Veja o vídeo:
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