DISPUTA PRESENCIAL

“Áudio não prejudica Flávio; patrocínio para filme é diferente de contrato para se livrar do STF”, diz Abilio sobre R$ 134 milhões

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“Áudio não prejudica Flávio; patrocínio para filme é diferente de contrato para se livrar do STF”, diz Abilio sobre R$ 134 milhões

JB News

Por Nayara Cristina

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, elevou o tom político da disputa presidencial de 2026 ao sair em defesa pública do senador Flávio Bolsonaro após o vazamento do áudio que expôs negociações de aproximadamente R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante entrevista à imprensa, Abilio afirmou que o episódio não terá impacto nas eleições de outubro e fez um duro contraponto entre o pedido de patrocínio milionário para o longa e denúncias envolvendo supostas tentativas de influência no Supremo Tribunal Federal.

“Uma coisa é pedir patrocínio para um filme. Outra coisa é fazer contrato para se livrar do STF”, disparou o prefeito, em uma fala que rapidamente repercutiu nos bastidores políticos e nas redes sociais.

Ao longo da entrevista, Abilio insistiu na tese de que o conteúdo do áudio não demonstra crime, mas sim uma tentativa de captação privada de recursos para uma produção audiovisual de grande porte. Segundo ele, adversários políticos tentam transformar uma negociação comercial em escândalo eleitoral para desgastar a candidatura de Flávio Bolsonaro.

O prefeito argumentou que empresários patrocinam projetos políticos, culturais e cinematográficos há décadas no Brasil e afirmou que o empresário citado nas gravações buscava retorno comercial e visibilidade com o investimento. Segundo Abilio, não existe comparação possível entre financiar um filme e, nas palavras dele, “interlocutar defesa dentro do Supremo”.

A fala faz referência ao trecho em que o prefeito compara o caso envolvendo o áudio de Flávio Bolsonaro a contratos milionários firmados por investigados que, segundo ele, buscariam influência institucional ou proteção política junto ao Judiciário. Sem citar diretamente nomes nacionais, Abilio sustentou que há uma diferença “clara e evidente” entre as duas situações.

O caso ganhou dimensão nacional após a divulgação de gravações atribuídas a Flávio Bolsonaro e ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Nos diálogos revelados pela imprensa, aparecem discussões envolvendo cerca de US$ 24 milhões — valor equivalente hoje a aproximadamente R$ 134 milhões — para custear o projeto cinematográfico sobre Jair Bolsonaro.

O filme “Dark Horse” vinha sendo tratado nos bastidores do bolsonarismo como uma megaprodução internacional voltada a fortalecer a imagem política do ex-presidente em pleno ano eleitoral. A obra teria o ator americano Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus Cristo em “A Paixão de Cristo”, vivendo Jair Bolsonaro nas telas.

Após a repercussão do caso, a produtora ligada ao projeto afirmou que os recursos mencionados nas gravações não chegaram oficialmente à empresa responsável pelo longa. Abilio Brunini usou justamente esse ponto para reforçar sua defesa.

Segundo o prefeito, os custos de uma produção cinematográfica não passam necessariamente pela conta formal da produtora. Ele afirmou que filmes dessa magnitude envolvem despesas paralelas com elenco, estrutura técnica, logística, publicidade, operação internacional e contratação de serviços terceirizados.

“Nem tudo vai para a produtora”, argumentou.

Durante a entrevista, Abilio também acabou ampliando o discurso político ao afirmar que existem grupos em Mato Grosso que, segundo ele, foram historicamente financiados com dinheiro de origem suspeita e hoje se apresentam ao eleitorado “como páginas limpas”. Apesar da declaração contundente, ele não revelou quais grupos ou lideranças estariam ligados a essas acusações.

Nos bastidores nacionais, o vazamento do áudio abriu uma nova frente de desgaste para Flávio Bolsonaro justamente em um momento estratégico da corrida presidencial. Adversários passaram a explorar a proximidade do núcleo bolsonarista com empresários investigados em escândalos financeiros, enquanto aliados tentam sustentar a narrativa de que houve apenas uma busca legítima por financiamento privado para um projeto audiovisual sem uso de dinheiro público.

Mesmo diante da repercussão negativa, Abilio Brunini afirmou acreditar que o eleitor conservador não será influenciado pelo episódio e declarou que a população consegue distinguir um pedido de patrocínio de uma suposta tentativa de “comprar silêncio” ou interferir em decisões do STF.

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