JB NEWS | POLÍTICA • ELEIÇÕES 2026
Por José Teixeira
Quase 3 milhões de eleitores a mais compareceram às urnas no segundo turno. Ceará registrou a menor abstenção do país, com 13,89%, enquanto o Amazonas liderou as ausências, com 26,67%. Em Mato Grosso, índice ficou em 20,95%.
BRASÍLIA — O segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado no domingo (25), entrou para a história da democracia brasileira ao registrar a menor taxa de abstenção dos últimos 20 anos. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o índice nacional caiu para 19,22%, contra 21,08% no primeiro turno, contrariando a tendência histórica de aumento das ausências na etapa decisiva das eleições.
A redução representou o comparecimento de aproximadamente 3 milhões de eleitores a mais em relação à votação de 4 de outubro. Ao todo, cerca de 128,2 milhões de brasileiros participaram do segundo turno, enquanto aproximadamente 30,5 milhões deixaram de comparecer às urnas.
O resultado chama a atenção não apenas pela queda nacional, mas também pelas diferenças regionais. Enquanto alguns estados registraram participação expressiva, outros continuaram apresentando índices elevados de ausência, revelando realidades distintas no comportamento do eleitorado brasileiro.
O Ceará foi o estado com a menor taxa de abstenção do Brasil no segundo turno, registrando apenas 13,89% de eleitores ausentes. O percentual ficou significativamente abaixo da média nacional e representou uma redução em relação ao primeiro turno, quando 15,52% dos eleitores cearenses não compareceram.
A capital, Fortaleza, também se destacou, com apenas 11,02% de abstenção, o menor índice entre as capitais brasileiras.
Outros estados nordestinos apresentaram participação elevada. Pernambuco registrou abstenção de 15,18%, seguido pela Paraíba, com 15,54%, Sergipe, com 15,71%, e Bahia, com 16,71%.
Na direção oposta, o Amazonas apresentou a maior taxa de abstenção do país, com 26,67% dos eleitores ausentes. O Acre apareceu em seguida, com 26,08%, e o Amapá registrou 25,47%.
Roraima também apresentou índice elevado, de 23,15%, enquanto Rondônia registrou 21,92%.
Os números mostram que os maiores percentuais de ausência ficaram concentrados em estados da Região Norte, enquanto o Nordeste reuniu alguns dos maiores índices de comparecimento eleitoral.
No Centro-Oeste, Mato Grosso registrou abstenção de 20,95% no segundo turno, percentual superior à média brasileira de 19,22%.
Apesar disso, o resultado representa uma redução em comparação com o primeiro turno, quando 22,20% dos eleitores mato-grossenses deixaram de votar, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).
Na capital, Cuiabá, a abstenção no segundo turno ficou em 17,24%, abaixo da média estadual e também da nacional.
Em Mato Grosso do Sul, o índice caiu de 23,87% no primeiro turno para 21,24% no segundo. O estado, que havia apresentado a maior taxa de abstenção do país na primeira etapa, registrou o comparecimento de aproximadamente 53 mil eleitores a mais na votação decisiva.
Goiás também ficou acima da média nacional, com 20,34% de abstenção.
No Sudeste, São Paulo apresentou uma das reduções mais significativas do país. A taxa de abstenção caiu de 22,54% no primeiro turno para 19,81% no segundo, uma diminuição de 2,73 pontos percentuais.
Minas Gerais registrou 20,33% de abstenção, enquanto o Espírito Santo apresentou índice de 19,47%.
Já o Rio de Janeiro teve 21,62% de eleitores ausentes, permanecendo acima da média brasileira. Na capital fluminense, o percentual chegou a 22,97%.
Na Região Sul, Santa Catarina apresentou o menor índice de abstenção, com 16,96%. O Paraná registrou 18,04% e o Rio Grande do Sul, 19,16%.
Tradicionalmente, o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras registra maior abstenção do que o primeiro. Em 2026, entretanto, ocorreu o contrário.
A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcada pela polarização política e pela intensa mobilização de apoiadores, coincidiu com um aumento expressivo do comparecimento eleitoral.
Dos 27 estados e unidades federativas, incluindo o Distrito Federal, 18 registraram redução da abstenção em comparação com a primeira etapa, enquanto nove apresentaram aumento.
Bahia e Pernambuco estiveram entre os estados com as maiores quedas. Por outro lado, Amapá, Roraima e Acre registraram alguns dos maiores aumentos.
Os números indicam que o crescimento da participação não ocorreu de maneira uniforme pelo território brasileiro.
Especialistas costumam apontar fatores como distância dos locais de votação, dificuldades de transporte, condições climáticas, desinteresse político e características socioeconômicas como possíveis influências sobre a abstenção. Entretanto, a identificação das causas específicas da redução em 2026 depende de estudos mais aprofundados.
Além da redução da abstenção, o segundo turno apresentou diminuição significativa dos votos brancos e nulos.
Juntos, eles representaram aproximadamente 3,24% dos votos registrados, contra 4,77% no primeiro turno, o menor percentual observado nas eleições presidenciais brasileiras neste século.
A redução demonstra que não apenas mais eleitores compareceram às urnas, como também uma proporção maior dos participantes optou por votar validamente em um dos candidatos.
A eleição presidencial de 2026 deixa um dado que merece atenção independentemente das preferências partidárias: milhões de brasileiros que não participaram do primeiro turno decidiram comparecer à votação decisiva.
Embora aproximadamente 30,5 milhões de eleitores ainda tenham permanecido ausentes, a queda da abstenção interrompeu a tendência de crescimento observada em disputas anteriores.
O contraste entre os 13,89% registrados no Ceará e os 26,67% verificados no Amazonas também evidencia que o desafio de ampliar a participação eleitoral permanece diferente em cada região do Brasil.
Mais do que uma estatística, os números revelam a importância de compreender por que determinados estados conseguem mobilizar uma parcela maior de seus eleitores, enquanto outros enfrentam dificuldades persistentes para assegurar o comparecimento.
A menor abstenção em duas décadas representa um marco importante, mas também reforça a necessidade de discutir medidas capazes de facilitar o exercício do voto em todo o território nacional.
Independentemente do resultado das urnas, o fortalecimento da democracia depende da participação dos cidadãos, do respeito às instituições e da garantia de que todos tenham condições efetivas de exercer seu direito de escolha.
JB NEWS — Informação com responsabilidade.
Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) e levantamentos publicados pelo Diário do Nordeste, Folha de S.Paulo e Correio do Estado, referentes às eleições de 25 de outubro de 2026.