HISTÓRICO DE CONFLITOS

“A vida de vocês vai virar um inferno”, dizia empresária alvo da operação Stop Hate acusada de espalhar fake news e ataques políticos em MT

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“A vida de vocês vai virar um inferno”, dizia empresária alvo da operação Stop Hate acusada de espalhar fake news e ataques políticos em MT

JB News

Por Emerson Teixeira

A empresária Juliana Pereira Guimarães, investigada na Operação “Stop Hate”, deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Civil de Mato Grosso, já acumula um longo histórico de conflitos judiciais, acusações, condenações e disputas envolvendo ameaças, dívidas e ataques contra terceiros. Apontada pelas investigações como uma das administradoras da página “Nexa Influencers”, ela passou a ser alvo da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI) sob suspeita de integrar um esquema voltado à disseminação de fake news, ataques coordenados e conteúdos ofensivos contra políticos e autoridades do estado.


Conhecida nos bastidores digitais e empresariais de Mato Grosso, Juliana ganhou notoriedade nos últimos anos pela atuação agressiva nas redes sociais e pelo envolvimento em diversos processos judiciais. Segundo levantamento feito junto ao Poder Judiciário, ela responde ou respondeu a ações envolvendo danos morais, cobranças financeiras, execuções e conflitos empresariais que ultrapassam R$ 200 mil em valores discutidos.


Um dos episódios que mais chamou atenção aconteceu em Primavera do Leste, quando a empresária foi condenada pela Justiça após acusar uma corretora de comercializar carga roubada. Durante o processo, mensagens anexadas aos autos mostraram o tom das ameaças atribuídas à investigada. Em uma delas, Juliana escreveu: “A vida de vocês daqui para frente vai virar um inferno”.


A Terceira Turma Recursal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso reconheceu a prática ofensiva e manteve, de forma unânime, a condenação da empresária ao pagamento de indenização por danos morais.


Além disso, Juliana também já esteve no centro de processos envolvendo cheques sem fundo. Em uma das ações, iniciada ainda em 2016, a dívida original girava em torno de R$ 30 mil, mas com juros e correções o valor chegou próximo de R$ 100 mil. O caso acabou extinto posteriormente por abandono processual.


Outro embate judicial ocorreu em um condomínio de alto padrão de Rondonópolis, onde a empresária chegou a ser impedida de utilizar áreas comuns devido à inadimplência nas taxas condominiais. Inconformada, ela acionou a Justiça alegando constrangimento e pedindo indenização por danos morais.


Agora, Juliana volta ao centro das atenções após a Operação “Stop Hate”, que investiga uma suposta estrutura organizada para produção e compartilhamento de conteúdos considerados falsos, ofensivos e difamatórios contra figuras públicas de Mato Grosso. Conforme a Polícia Civil, os investigados utilizavam redes sociais para divulgar vídeos, imagens e publicações em tom jocoso e depreciativo, com forte repercussão política.


Durante a operação desta quarta-feira, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. Celulares, computadores, mídias digitais e equipamentos eletrônicos foram apreendidos para análise pericial. A Justiça também determinou medidas cautelares proibindo novas publicações contra as vítimas investigadas e restringindo qualquer contato entre os envolvidos.


O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi, uma das vítimas dos ataques investigados, afirmou que a operação representa um marco importante no enfrentamento aos crimes virtuais. Segundo ele, a liberdade de expressão não pode servir de escudo para perseguições, mentiras e destruição de reputações.


Nos bastidores políticos, a operação provocou forte repercussão porque atinge diretamente um grupo suspeito de utilizar redes sociais como ferramenta de pressão, ataque e desgaste político. A Polícia Civil agora aprofunda as investigações para identificar se havia financiamento, articulação política ou outras pessoas envolvidas no esquema.


A análise do material apreendido poderá revelar novos nomes, conexões e a dimensão real da atuação do grupo investigado em Mato Grosso.