Ana Paula Figueiredo
Projeto ainda não chegou à Assembleia Legislativa; presidente da Casa defende diálogo entre governo e funcionalismo diante de reivindicação de 19,52%
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi (PSB), afirmou nesta terça-feira (13) que o projeto de lei que trata da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores estaduais ainda não foi protocolado no parlamento. Segundo o parlamentar, a proposta deve ser recebida ao longo do dia para que os deputados iniciem a análise e o debate sobre o tema.
Ao comentar a sinalização do governador Mauro Mendes (União) de conceder apenas o índice da inflação oficial (IPCA), Max Russi destacou a legitimidade da reivindicação dos servidores. “Eu acho que toda cobrança é legítima, a gente tem que atender, escutar, ver como é que pode estar trabalhando. Se tem trabalhado esse percentual, é lógico que de uma vez o Estado não tem condição”, disse.
Questionado sobre a possibilidade de pagamento integral do percentual acumulado de 19,52%, o presidente da Assembleia reconheceu as limitações financeiras do Estado, mas reforçou a importância do diálogo entre Legislativo, Executivo e funcionalismo público. “O debate está aberto, é o momento desse debate acontecer e vamos discutir e trabalhar para ver como podemos votar na sessão de amanhã esse encaminhamento feito pelo Executivo, que vai atender nossos servidores para que tenham a reposição ainda no mês de janeiro”, completou.
A declaração ocorre em meio à mobilização dos servidores estaduais, que não descartam a deflagração de greve caso o governo não abra negociação para quitar o passivo acumulado da RGA. A pressão acontece às vésperas da votação da revisão salarial para 2026, prevista para esta quarta-feira (14), na Assembleia Legislativa.
Até o momento, o Palácio Paiaguás não encaminhou oficialmente o projeto da RGA aos deputados. A expectativa é de que o percentual proposto seja o da inflação oficial medida pelo IPCA, que fechou 2025 em 4,26%, abaixo do índice previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, de 4,56%.
Segundo dados do Dieese, entre 2017 e 2025, a inflação acumulada foi de 57,18% pelo INPC e de 58,03% pelo IPCA, enquanto os reajustes concedidos aos servidores estaduais no período somaram apenas 32,22%, reforçando a reivindicação do funcionalismo por reposição integral.