JB News
por Jota de Sá
Foto Arte: Emerson Teixeira
O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou um novo e decisivo capítulo em Brasília. Em meio às investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e movimentações financeiras atípicas ligadas ao crime organizado, o Senado Federal atingiu o número necessário de assinaturas para avançar com a criação de uma CPMI do Banco Master, ampliando a pressão política sobre o caso que já abala o sistema financeiro nacional.
No Senado, a oposição alcançou 42 assinaturas, superando o mínimo exigido pelo regimento interno para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito específica sobre o Banco Master. O requerimento foi apresentado pelo senador Eduardo Girão, do partido Novo, e prevê uma investigação com prazo inicial de 90 dias, com foco nas operações financeiras do banco, nos prejuízos causados a investidores e nas possíveis conexões com esquemas de lavagem de dinheiro.
Paralelamente, o movimento avançou também no Congresso Nacional como um todo. O requerimento para a criação de uma CPMI, que reúne deputados e senadores, atingiu o número mínimo de assinaturas ainda no final de dezembro e deve ser lido na primeira sessão conjunta do ano legislativo de 2026. A articulação política reúne parlamentares de diferentes espectros ideológicos, incluindo oposição e integrantes da base do governo, o que evidencia a gravidade das suspeitas que recaem sobre o Banco Master.
As investigações que deram origem à crise envolvem duas grandes ofensivas da Polícia Federal. A primeira, a Operação Carbono Oculto, revelou um esquema de lavagem de dinheiro a partir do setor de combustíveis, com uso de empresas de fachada, holdings e estruturas financeiras para ocultar recursos ilícitos, alguns deles associados a organizações criminosas como o PCC. O aprofundamento das apurações levou à deflagração da Operação Compliance Zero, que passou a mirar diretamente o Banco Master e seu núcleo de controle, com suspeitas de gestão fraudulenta, ocultação patrimonial e descumprimento sistemático de normas de compliance.
O empresário Daniel Vorcaro, controlador do banco, aparece no centro das investigações, que também alcançam familiares, executivos e empresas ligadas à instituição. Diante do avanço das apurações e da constatação de irregularidades consideradas graves, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação do Banco Master, escancarando um rombo financeiro que passou a ser citado por especialistas como um caso emblemático de falhas de governança e fiscalização.
No campo político, o avanço das assinaturas para a CPI e para a CPMI aumentou a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, responsável por autorizar a leitura e a instalação do colegiado. Nos bastidores, a avaliação é de que a investigação parlamentar deve aprofundar a responsabilização de gestores, apurar a atuação dos órgãos reguladores e dimensionar os impactos do caso sobre o sistema financeiro brasileiro.
O caso Banco Master, agora sob o holofote do Congresso Nacional, deixa de ser apenas uma investigação policial e econômica para se transformar em um escândalo político de grandes proporções, com potencial para revelar como estruturas bancárias podem ter sido utilizadas para movimentar bilhões de reais à margem da lei. O JB News seguirá acompanhando os desdobramentos, com atenção especial à instalação da CPMI e aos próximos passos das investigações.