“Não existe namoro escondido”: PL fecha palanque com bolsonarismo e impõe recado direto a Mauro Mende, VEJA O VÍDEO

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JB News por Jota de Sá A disputa pelo comando do Palácio Paiaguás nas eleições de 2026 já se transformou em um dos embates mais duros e estratégicos da política mato-grossense. Pela primeira vez em muitos anos, a direita — força predominante no Estado — vive uma divisão aberta, com três nomes de peso se enfrentando em uma queda de braço interna que pode redefinir o tabuleiro eleitoral e, inclusive, abrir espaço para o crescimento da esquerda. Hoje, o campo conservador em Mato Grosso se organiza em torno de três pré-candidaturas centrais: o senador Wellington Fagundes, pelo PL; o vice-governador Otaviano Pivetta, pelo União Brasil; e o senador Jayme Campos, nome tradicional da política estadual. Cada um representa não apenas projetos distintos, mas também grupos políticos que hoje caminham em rota de colisão. No União Brasil, partido que governa Mato Grosso há dois mandatos consecutivos, o governador Mauro Mendes tem sido categórico ao afirmar que seu candidato natural à sucessão é o vice-governador Otaviano Pivetta. A aposta do chefe do Executivo estadual é manter o controle do Palácio Paiaguás e, ao mesmo tempo, construir um ambiente político favorável à sua própria candidatura ao Senado em 2026. Essa estratégia, no entanto, tem encontrado resistência dentro e fora do campo da direita. A principal barreira está na relação estremecida entre Mauro Mendes e o bolsonarismo. O conflito se agravou após embates públicos com o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que provocou um rompimento político entre o governo estadual e o PL em Mato Grosso. Desde então, o isolamento do grupo governista passou a ser perceptível. Enquanto Mauro Mendes se fecha com sua base no União Brasil, o PL acelerou a construção de um palanque próprio, totalmente alinhado ao bolsonarismo. Nesse contexto, o senador Wellington Fagundes ganhou musculatura política ao se posicionar de forma firme na defesa da família Bolsonaro, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, hoje apontado como pré-candidato à Presidência da República pelo grupo. O avanço de Wellington Fagundes dentro da direita preocupa lideranças políticas porque a manutenção de duas candidaturas fortes — PL e União Brasil — pode fragmentar o eleitorado conservador e, pela primeira vez, abrir uma janela real para que a esquerda se torne competitiva no Estado. Atualmente, o campo progressista trabalha basicamente com o nome da deputada Natasha Slhessarenko, que observa atentamente a divisão adversária. Foi nesse cenário de tensão que o presidente do PL em Mato Grosso e secretário de Governo da Prefeitura de Cuiabá, Ananias Filho, deu uma das entrevistas mais duras do atual pré-processo eleitoral. Sem rodeios, ele descartou qualquer possibilidade de apoio do PL ao projeto de sucessão encabeçado por Mauro Mendes e Otaviano Pivetta. Segundo Ananias, o partido já tem o “quadro fechado” para 2026, tanto no plano nacional quanto estadual: Flávio Bolsonaro para a Presidência da República e Wellington Fagundes para o Governo de Mato Grosso. Para que Mauro Mendes tivesse espaço nesse palanque, especialmente em uma eventual candidatura ao Senado, seria necessário abandonar seu projeto próprio e aderir integralmente ao desenho político do PL. “O Mauro Mendes não está impedido de participar, desde que ele assuma compromisso com a direita bolsonarista”, afirmou Ananias. Em tom ainda mais contundente, completou: “Eleição não é namoro escondido. Campanha tem que pegar na mão, andar na praça, beijar na boca e dizer claramente com quem está”. Na avaliação do dirigente, não há espaço para ambiguidades. “Não temos condição nenhuma de andar com quem não quer falar o nome do Wellington Fagundes, do Flávio Bolsonaro e do José Medeiros. Nossa definição é clara. Quem quiser defender os valores da direita e esses nomes que já estão colocados, seja bem-vindo”, cravou. A fala de Ananias Filho explicitou aquilo que já circulava nos bastidores: a direita mato-grossense entra em 2026 dividida, com palanques concorrentes e disputas internas cada vez mais públicas. O desfecho dessa guerra política será decisivo não apenas para definir quem governará Mato Grosso, mas também para determinar se o Estado continuará sendo um reduto conservador unificado ou se abrirá espaço, pela primeira vez em muitos anos, para um protagonismo maior da esquerda no cenário eleitoral. veja