VIOLÊNCIA SILENCIOSA

Mulher relata 27 anos de terror dentro de casa após morte de servidor em ação policial

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Mulher relata 27 anos de terror dentro de casa após morte de servidor em ação policial

Violência Oculta Dentro de Casa Vem à Tona Após Morte de Servidor do Liceu Cuiabano em Ação Policial

JB News

Por Emerson Teixeira

A morte do servidor público Valdevino Fidélis, de 45 anos, ocorrida durante uma ação da Polícia Militar em Cuiabá, continua provocando forte repercussão em Mato Grosso e agora trouxe à tona um histórico de violência doméstica que, segundo familiares, teria sido escondido por quase երեք décadas dentro da própria residência.


As investigações conduzidas pela Polícia Civil apontam que a companheira do servidor relatou ao delegado Bruno Abreu uma rotina marcada por agressões físicas, ameaças constantes e episódios de terror psicológico ao longo dos 27 anos de relacionamento. O depoimento foi prestado poucos dias após a morte de Valdevino, ocorrida na noite de 11 de maio, em Cuiabá.


Conforme informações apuradas pela investigação, a mulher afirmou que viveu durante anos sob medo permanente e que enfrentava dificuldades para romper o relacionamento devido às ameaças feitas pelo companheiro. Entre os relatos apresentados à Polícia Civil, ela contou que o servidor dizia frequentemente que tiraria a própria vida caso fosse abandonado, além de controlar emocionalmente a família dentro de casa.


A enteada de Valdevino também foi ouvida pelos investigadores e confirmou o ambiente de tensão vivido na residência. Segundo o depoimento, o comportamento agressivo acontecia longe da imagem pública construída pelo servidor, que era conhecido no meio social e profissional como uma pessoa tranquila e respeitada.


O caso ganhou ainda mais repercussão porque Valdevino atuava como servidor ligado ao tradicional Liceu Cuiabano, uma das instituições de ensino mais conhecidas da capital mato-grossense. Após a morte dele, colegas e pessoas próximas demonstraram surpresa diante das revelações feitas pela família durante as investigações.


De acordo com o delegado Bruno Abreu, os depoimentos mostram um contraste entre a postura apresentada em público e a realidade enfrentada dentro da residência. A Polícia Civil agora trabalha para aprofundar a apuração dos fatos e entender todo o contexto familiar que antecedeu a ocorrência policial registrada em Cuiabá.


A repercussão do caso também reacendeu debates sobre violência doméstica silenciosa, especialmente em relacionamentos duradouros onde vítimas convivem por anos com medo, dependência emocional e dificuldade de denunciar os abusos. Em Mato Grosso, especialistas apontam que muitas situações semelhantes permanecem invisíveis até que episódios extremos tragam os conflitos à tona.