Megaoperação cumpre 471 mandados e decreta 225 prisões para esmagar facção em MT e outros cinco estados

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JB News por Nayara Cristina   A manhã desta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, foi marcada por uma das maiores operações já realizadas pela Polícia Civil de Mato Grosso no combate ao crime organizado. Batizada de Operação Cartório Central, a ofensiva teve como alvo uma estrutura criminosa altamente organizada, responsável por crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão, agiotagem e controle territorial, com atuação concentrada em Primavera do Leste e ramificações em outros estados do país. A ação resultou no cumprimento de 471 ordens judiciais, entre elas 225 mandados de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão domiciliar e 21 medidas de bloqueio e indisponibilidade de valores e bens, com o objetivo de enfraquecer financeiramente o grupo criminoso. As determinações foram expedidas pela Primeira Vara Criminal de Primavera do Leste, a partir de um inquérito conduzido pela Polícia Civil que se estendeu por mais de um ano. Os mandados foram cumpridos simultaneamente em diversas cidades de Mato Grosso e também nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Acre e São Paulo, exigindo uma grande mobilização de efetivo. Para garantir a execução das ordens judiciais, a Polícia Civil contou com o apoio de unidades especializadas e a integração com forças policiais de outros estados, o que permitiu uma ação coordenada e de grande impacto. As investigações apontaram que a facção possuía hierarquia interna bem definida, divisão de funções, logística própria e um sistema estruturado de controle financeiro. Além do tráfico de drogas, o grupo mantinha um esquema de cobrança de dívidas ilícitas e impunha regras internas para garantir domínio territorial e obediência de seus integrantes. Parte dos recursos obtidos com a venda de entorpecentes era utilizada para a prática de agiotagem, com a concessão de empréstimos informais a terceiros, principalmente comerciantes locais, mediante a cobrança de juros elevados, numa tentativa de conferir aparência de legalidade ao dinheiro de origem criminosa. De acordo com a apuração policial, as movimentações financeiras identificadas são compatíveis com lavagem de capitais, demonstrando que o esquema ia além do tráfico de drogas e buscava expandir o poder econômico da facção. As cobranças eram respaldadas por integrantes responsáveis pela disciplina interna, que articulavam ameaças, represálias e até sequestros contra devedores e concorrentes, enquanto membros do alto escalão supervisionavam o financiamento ilegal e a expansão das atividades criminosas. O delegado Rodolfo Bandeira, responsável pelo caso, destacou que todo o material apreendido durante a operação será analisado detalhadamente para subsidiar novos procedimentos investigativos, identificar outros envolvidos e aprofundar a responsabilização criminal e patrimonial dos integrantes da organização. Segundo ele, a Operação Cartório Central representa um passo decisivo no enfrentamento ao crime organizado, ao atingir diretamente a estrutura financeira da facção e reduzir de forma significativa sua capacidade de atuação em Mato Grosso e em outras regiões do Brasil.