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Por Ana Paula Figueiredo
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), disse nesta segunda-feira (3) que as facções criminosas sejam enquadradas pela lei brasileira como organizações terroristas, argumentando que a legislação atual é insuficiente diante da violência crescente no país.
“Essas facções matam, decapitam, exibem metralhadoras e espalham medo. Se isso não é terrorismo, então o que é?”, questionou Mendes.
O governador classificou como uma anomalia jurídica o fato de o Brasil ainda não considerar as facções como terroristas, destacando o impacto dessas organizações na rotina das cidades e o pânico constante da população.
Mendes criticou ainda a “hipocrisia seletiva” de políticos, ONGs e parte da sociedade, que condenam operações policiais mais duras, mas permanecem em silêncio diante de mais de 40 mil homicídios anuais no país, a maioria ligada ao crime organizado.
“Todo dia essas facções matam 100 brasileiros, e ninguém se manifesta. Mas quando a polícia reage, é tratado como escândalo. Isso é hipocrisia”, disse o governador.
Ele pediu que o Congresso Nacional aprove a tramitação da PEC da Segurança Pública para incluir medidas legais eficazes de combate ao crime, e não apenas ações simbólicas. “Nosso Código Penal é de 1940. O mundo mudou, o crime se modernizou, mas nossas leis continuam frágeis. Quando quiseram, fizeram a reforma tributária rapidamente. Por que não fazem o mesmo com a segurança, que é o verdadeiro clamor nacional?”, provocou Mendes.
O governador defendeu ainda uma estratégia mais inteligente contra crimes estruturantes das facções, como tráfico de drogas e receptação de produtos roubados. “Se tem roubo de celular, é porque tem quem compre. É preciso endurecer contra o receptador. Sem quem compre, o roubo perde sentido”, pontuou.
Mendes alertou para a infiltração das facções na política, afirmando que o crime organizado tem buscado eleger representantes com recursos ilícitos, repetindo um padrão já visto em outros países. “Isso aconteceu na Itália, nos Estados Unidos e está começando aqui. Eles estão se organizando por baixo, e se não reagirmos agora, o problema será muito maior”, advertiu.
Por fim, o governador destacou os investimentos em segurança pública no estado, citando programas como Tolerância Zero, o canal de denúncias de extorsão e melhorias no sistema prisional. “Estamos enfrentando o crime de frente. Não podemos permitir que as cadeias sejam o quartel-general das facções. O cidadão de bem paga a conta enquanto o bandido perdeu o medo da punição. É hora de resgatar o respeito à lei no Brasil”, concluiu.