SEM PROPOSTAS

“Licitação para construção do túnel no Portão do Inferno fracassa e governo prepara novo edital

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“Licitação para construção do túnel no Portão do Inferno fracassa e governo prepara novo edital

JB News

Por Nayara Cristina

A novela envolvendo o Portão do Inferno, um dos trechos mais críticos e perigosos da MT-251, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães, ganhou mais um capítulo nesta semana após o Governo de Mato Grosso confirmar que a licitação para construção do aguardado túnel na região terminou sem empresa vencedora. O novo revés reacendeu a preocupação de moradores, comerciantes, empresários do turismo e motoristas que convivem há anos com interdições, riscos de desmoronamento e prejuízos provocados pelos constantes problemas estruturais no local.


Considerado um dos principais cartões-postais de Mato Grosso, o trecho do Portão do Inferno também se transformou, ao longo dos últimos anos, em símbolo da dificuldade histórica do poder público em encontrar uma solução definitiva para os deslizamentos de terra e instabilidades geológicas que atingem a região serrana.


Os problemas se agravaram principalmente nos períodos chuvosos, quando o risco de queda de rochas passou a provocar interdições totais e parciais da rodovia. Desde então, o tráfego entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães vem sofrendo restrições frequentes, afetando diretamente o turismo, a economia local e a mobilidade de milhares de pessoas que utilizam diariamente a MT-251.


Empresários do setor turístico relatam que os bloqueios sucessivos afastaram visitantes, reduziram reservas em hotéis e impactaram restaurantes, pousadas, guias turísticos e o comércio regional. Moradores também passaram a enfrentar dificuldades no deslocamento para trabalho, estudo e atendimentos de saúde, especialmente nos períodos em que o acesso precisou ser totalmente interrompido por questões de segurança.


Na tentativa de conter os riscos, o Governo do Estado iniciou nos últimos anos uma série de obras emergenciais de contenção no trecho, incluindo instalação de telas metálicas, barreiras de proteção, sistemas de drenagem e monitoramento geotécnico da encosta. Apesar disso, os estudos técnicos apontaram que as intervenções paliativas não resolveriam de forma definitiva a instabilidade da região.


Diante desse cenário, surgiu o projeto de construção de um túnel no Portão do Inferno, considerado a principal alternativa estrutural para garantir segurança e fluxo permanente na rodovia. A proposta passou a ser tratada como uma das obras de infraestrutura mais aguardadas de Mato Grosso, principalmente por moradores de Chapada dos Guimarães e empresários ligados ao turismo.


No entanto, a expectativa acabou frustrada após a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) confirmar que a licitação aberta para contratação da obra fracassou. O único participante do certame, o Consórcio TB-ETEL, foi inabilitado depois de não cumprir exigências previstas no edital relacionadas à capacidade econômico-financeira.


Segundo a Sinfra, o principal problema identificado foi o descumprimento do índice de liquidez geral exigido para habilitação da empresa. O consórcio apresentou recurso tentando reverter a decisão, mas a Comissão de Licitação manteve o entendimento, posição posteriormente acompanhada pela Procuradoria Geral do Estado.


Sem empresas habilitadas, a licitação acabou oficialmente considerada fracassada. Agora, o Governo do Estado anunciou que fará uma revisão técnica no anteprojeto antes da publicação de um novo edital para contratação da obra.


A situação aumentou ainda mais a ansiedade da população da Baixada Cuiabana e de Chapada dos Guimarães, que aguardam há anos uma solução definitiva para um problema que se arrasta entre promessas, estudos técnicos, interdições e obras emergenciais.


Além do impacto econômico, o Portão do Inferno também se tornou um dos maiores desafios logísticos e de segurança viária de Mato Grosso. O trecho é estratégico para o turismo estadual, para o acesso ao Parque Nacional de Chapada dos Guimarães e para o escoamento regional, mas segue convivendo com restrições constantes e incertezas sobre quando a obra definitiva finalmente sairá do papel.


Mesmo com o fracasso da licitação, a expectativa do Governo do Estado é republicar um novo edital nos próximos meses. Enquanto isso, moradores, comerciantes e empresários seguem convivendo com um cenário de insegurança e preocupação em uma das rodovias mais importantes e simbólicas de Mato Grosso.