POLÊMICA DA RODOVIA

“Estado tirou população da lama”, rebate Max Russi ao defender MT-170 e cobrar apuração sobre falhas em obra alvo de disputa política

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“Estado tirou população da lama”, rebate Max Russi ao defender MT-170 e cobrar apuração sobre falhas em obra alvo de disputa política

JB News

Por Nayara Cristina

Do local Guilherme Augusto

A disputa em torno da MT-170 voltou ao centro do debate político em Mato Grosso após declarações do ex-governador Mauro Mendes contra o senador Wellington Fagundes e repercutiu nesta quarta-feira (27) na Assembleia Legislativa, onde o presidente da Casa, deputado Max Russi, defendeu apuração sobre possíveis problemas estruturais na obra, mas reforçou a importância da estadualização da rodovia e da pavimentação executada pelo Governo do Estado.


A discussão ganhou força depois que Wellington Fagundes criticou a decisão tomada durante a gestão Mauro Mendes de reassumir o trecho que havia sido federalizado e transformado na BR-174. Em resposta, Mauro afirmou que a rodovia ficou abandonada durante anos sob responsabilidade federal e acusou o senador de não ter resolvido os problemas da estrada mesmo tendo influência política sobre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).


Segundo Mauro Mendes, a estrada enfrentava atoleiros históricos e isolamento durante o período chuvoso, prejudicando moradores, produtores rurais e o transporte na região noroeste do estado. O ex-governador lembrou que a via originalmente era estadual, mas foi federalizada em 2008 após articulação política que defendia que Mato Grosso não teria capacidade financeira para executar a pavimentação. Para Mauro, a retomada da rodovia pelo Estado foi determinante para destravar uma obra aguardada há décadas.


Durante entrevista na Assembleia Legislativa, Max Russi adotou tom de cautela ao comentar as críticas relacionadas à qualidade da pavimentação. O parlamentar afirmou que, caso existam falhas na execução da obra, a empresa responsável deve ser notificada e obrigada a corrigir os problemas dentro do prazo contratual de garantia.


O presidente da Assembleia destacou que a realidade da região mudou completamente após a pavimentação. Segundo ele, antes das intervenções do Estado, a rodovia era praticamente intransitável em períodos de chuva, impedindo a circulação de moradores e causando enormes dificuldades logísticas.


Max Russi afirmou que o mais importante foi o fato de o Estado ter assumido a responsabilidade pela estrada e executado a obra. Ele ponderou, porém, que eventuais problemas técnicos precisam ser rigorosamente apurados pelos órgãos de fiscalização.


O deputado também citou o trabalho do Tribunal de Contas do Estado e disse que a Assembleia Legislativa pode atuar na fiscalização do contrato e na cobrança de providências por parte do governo estadual. Segundo ele, denúncias que chegarem à Comissão de Infraestrutura da Casa deverão ser analisadas com responsabilidade.


Ao ser questionado sobre uma possível omissão da comissão diante de problemas em obras estaduais, Russi afirmou que pretende buscar informações detalhadas sobre o caso e conversar com os integrantes do colegiado para verificar o andamento das fiscalizações. O parlamentar reconheceu que existem cobranças envolvendo grandes obras de infraestrutura em Mato Grosso, incluindo projetos rodoviários e intervenções em andamento em Cuiabá e no interior do estado.


A MT-170 é considerada uma das principais rotas estratégicas da região noroeste de Mato Grosso. O trecho liga municípios como Juína, Castanheira, Juruena, Aripuanã e Colniza, numa extensão superior a 270 quilômetros, e durante décadas foi alvo de reclamações devido às condições precárias de trafegabilidade.


A pavimentação da estrada passou a ser tratada como prioridade após a estadualização do trecho, decisão defendida pelo Governo do Estado como alternativa para acelerar obras que estavam paradas há anos sob responsabilidade federal. A obra é vista como fundamental para o escoamento da produção agrícola, integração regional e redução do isolamento de comunidades do interior mato-grossense.


Agora, a nova polêmica em torno da qualidade da pavimentação reacende o embate político entre aliados e adversários sobre quem teve responsabilidade pelo abandono histórico da rodovia e quem deverá responder por possíveis falhas na execução da obra.

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