AGRO NO CENTRO DO DEBATE

“É impossível plantar e colher”: Flávio acusa Lula de sufocar agronegócio com juros altos e dívidas

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“É impossível plantar e colher”: Flávio acusa Lula de sufocar agronegócio com juros altos e dívidas

JBNews

Por José Teixeira

O senador Flávio Bolsonaro (PL) escolheu o agronegócio como um dos principais pontos de confronto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no debate presidencial promovido pela TV Globo nesta sexta-feira (23 de outubro). Durante a discussão sobre os desafios do Centro-Oeste, região que concentra uma parcela expressiva da produção agropecuária brasileira, o candidato criticou os juros elevados, a burocracia e o endividamento dos produtores rurais.

“É impossível plantar e colher no Brasil com a taxa de juros tão altos”, afirmou Flávio, ao questionar as condições de financiamento enfrentadas pelo setor produtivo.

A declaração atingiu diretamente uma preocupação econômica de Mato Grosso, maior produtor nacional de soja e um dos principais polos de produção de milho, algodão e carne bovina.

O candidato afirmou que produtores enfrentam dificuldades para financiar o plantio, custear suas atividades e administrar dívidas acumuladas. Na avaliação dele, a política econômica federal tem agravado os obstáculos enfrentados por quem depende de crédito para manter a produção.

Flávio também prometeu impedir o contingenciamento de recursos destinados ao seguro rural, mecanismo utilizado para reduzir prejuízos provocados por adversidades climáticas e outros riscos cobertos pelas apólices.

O seguro rural é considerado estratégico em estados como Mato Grosso, onde períodos de seca, chuvas intensas e oscilações climáticas podem comprometer lavouras e provocar perdas financeiras significativas.

Além do crédito, o senador defendeu uma articulação com os governadores do Centro-Oeste para enfrentar o crime organizado, ampliando a discussão para questões de segurança que afetam as atividades econômicas e a circulação de mercadorias.

Lula reagiu contestando a afirmação de que seu governo prejudica o agronegócio. O presidente declarou que sua administração ampliou investimentos no setor e lembrou que as linhas oficiais de crédito rural contam com juros subsidiados.

A resposta presidencial destacou uma diferença importante entre os juros praticados no mercado financeiro e as taxas oferecidas em determinadas modalidades do Plano Safra. Nem todos os produtores, entretanto, conseguem acessar crédito subsidiado nas mesmas condições.

A discussão envolve uma questão central para Mato Grosso: o volume de recursos anunciado pelo governo não representa necessariamente o total efetivamente contratado, assim como o acesso ao financiamento depende de garantias, enquadramento nas linhas disponíveis e avaliação das instituições financeiras.

O embate também expôs a importância do seguro rural e da renegociação de dívidas para a continuidade da produção agropecuária.

Ao levar o tema para o debate nacional, Flávio procurou reforçar sua aproximação com os produtores rurais. Lula, por sua vez, defendeu os resultados de sua gestão e questionou a narrativa de que o governo federal mantém uma postura contrária ao setor.

A disputa pelo voto do agronegócio ganhou, assim, protagonismo no último encontro entre os presidenciáveis antes do segundo turno de domingo (25).