Ana Paula Figueiredo
Estatal aposta em redução drástica de custos, parcerias com comércio local e venda de imóveis para tentar recuperar a saúde financeira
Os Correios preparam uma reestruturação profunda que inclui o fechamento de 700 agências em todo o país, corte de gastos operacionais e um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV) para reduzir 10 mil empregados. As medidas fazem parte de um plano agressivo para enfrentar a crise financeira que afeta a estatal desde 2022.
Segundo a direção da empresa, o enxugamento da rede física segue critérios técnicos que avaliam rentabilidade, fluxo de atendimento e sobrecarga operacional. Nos municípios onde manter uma unidade própria se tornou inviável, os serviços serão mantidos por meio de parcerias com o comércio local, evitando um apagão postal em pequenas comunidades.
A folha de pagamento também passará por um ajuste severo. A expectativa é que o PDV gere uma economia anual de R$ 2 bilhões. Para incentivar a adesão, a estatal oferecerá um pacote de benefícios mais robusto que os anteriores, incluindo extensão da assistência à saúde e apoio para recolocação profissional.
Além dos cortes, a estratégia busca novas fontes de receita. Os Correios planejam criar um fundo imobiliário em parceria com a Caixa Econômica Federal, com o objetivo de monetizar imóveis inativos ou subutilizados. A venda desses ativos deve reforçar o caixa e acelerar o processo de modernização.
A gestão afirma que a reestruturação é indispensável para impedir que a estatal continue acumulando prejuízos e para garantir a sobrevivência da empresa num mercado cada vez mais competitivo.