TRIBUNAL DO JÚRI

Barbárie atrás das grades: seis detentos são condenados a 138 anos por execução brutal dentro de penitenciária em Mato Grosso

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Barbárie atrás das grades: seis detentos são condenados a 138 anos por execução brutal dentro de penitenciária em Mato Grosso

Por Emerson Teixeira

A Justiça de Mato Grosso condenou seis homens pelo assassinato de Gabryel Eduardo Oliveira da Silva, morto de forma cruel dentro da Penitenciária Major PM Zuzi Alves da Silva, no município de Água Boa. O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri da cidade e terminou com penas que, somadas, chegam a 138 anos de prisão em regime fechado, evidenciando mais um capítulo da violência ligada à disputa entre facções criminosas dentro do sistema penitenciário mato-grossense.

O crime aconteceu em março de 2024 e, segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual, a vítima foi submetida a uma longa sequência de espancamentos e torturas dentro da unidade prisional antes de morrer. Os laudos periciais apontaram que Gabryel sofreu diversas agressões físicas ao longo de horas, tendo a morte causada por hemorragia interna provocada pela intensidade dos ferimentos.

Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu que o homicídio foi cometido por motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante recurso que impossibilitou qualquer chance de defesa da vítima. A acusação sustentou que a execução foi ordenada e praticada como forma de punição interna imposta por integrantes de organização criminosa rival, cenário que reforça o avanço das facções dentro dos presídios de Mato Grosso.

Na sentença, o magistrado destacou a extrema brutalidade utilizada pelos condenados e classificou o caso como uma demonstração explícita do domínio violento exercido por grupos criminosos dentro do ambiente carcerário. Conforme a decisão judicial, o assassinato ocorreu de forma planejada e coletiva, revelando total desprezo pela vida humana e pelas regras mínimas de convivência no sistema prisional.

Ryan Aparecido Correa da Silva foi condenado a 20 anos de prisão. Já Carlos Alberto Cavalcante da Silva, Rodrigo Cruz de Aguiar, Sávio Souza Mendes e Valdeilson Anastácio Sobrinho receberam penas de 24 anos cada. José Cleiton Melo da Silva foi sentenciado a 22 anos de reclusão. Todos deverão cumprir pena inicialmente em regime fechado.

A investigação reuniu imagens internas da penitenciária, relatórios de agentes prisionais, exames periciais e depoimentos que comprovaram a participação conjunta dos acusados na morte de Gabryel. O Ministério Público afirmou que o homicídio teve características típicas de “tribunal do crime”, prática frequentemente associada a facções criminosas que atuam dentro e fora das unidades penitenciárias brasileiras.

O caso provocou forte repercussão na região do Araguaia e voltou a expor a crise de segurança dentro dos presídios de Mato Grosso, onde autoridades vêm enfrentando dificuldades para conter confrontos entre grupos rivais, execuções internas e o fortalecimento do crime organizado mesmo dentro das unidades de detenção. A Penitenciária Major Zuzi, onde ocorreu o assassinato, já foi alvo de operações e denúncias relacionadas à atuação de facções e à precariedade do controle interno.

Com a condenação dos seis envolvidos, a Justiça encerra uma das ações penais mais violentas registradas recentemente no interior do sistema prisional mato-grossense, mas o episódio reacende o alerta sobre a influência das organizações criminosas nos presídios do estado e os desafios enfrentados pelas forças de segurança para impedir que cadeias se transformem em centros de comando do crime organizado.