ÔNIBUS ELÉTRICO

Após mais de uma década, governador confirma entrega do primeiro trecho do BRT para junho “Definitivamente uma realidade”

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Após mais de uma década, governador confirma entrega do primeiro trecho do BRT para junho “Definitivamente uma realidade”

JB News

Por Nayara Cristina

Depois de anos de atrasos, mudanças de projeto, obras paralisadas e uma sucessão de promessas políticas não cumpridas, o sistema de transporte coletivo que deveria revolucionar a mobilidade urbana de Cuiabá e Várzea Grande volta ao centro do debate público. O governador Otaviano Pivetta afirmou nesta segunda-feira (11) que os dois primeiros trechos do BRT deverão ser concluídos até o fim de junho, encerrando mais um capítulo de uma novela que se arrasta há mais de dez anos e que já se transformou em símbolo de desperdício de dinheiro público e frustração para milhares de mato-grossenses.

Segundo Pivetta, o primeiro trecho entregue será o que liga o Aeroporto Marechal Rondon ao Hospital do Câncer, em Cuiabá. O governador também confirmou que o novo modal utilizará veículos híbridos, em um modelo que mistura características de ônibus elétrico com estrutura semelhante a bondes urbanos modernos.

A promessa reacende a expectativa da população de finalmente ver funcionando um sistema de transporte moderno em uma das regiões metropolitanas que mais cresceram no Centro-Oeste brasileiro. Ao mesmo tempo, o anúncio também reacende críticas e desconfianças em relação ao histórico de atrasos que marcou os projetos de mobilidade urbana em Mato Grosso desde a preparação para a Copa do Mundo de 2014.

O atual BRT nasceu após o colapso definitivo do projeto do Veículo Leve sobre Trilhos, o VLT, lançado ainda na gestão do ex-governador Silval Barbosa. A obra, inicialmente vendida como símbolo de modernidade para Cuiabá, virou um dos maiores escândalos de infraestrutura da história recente do estado. Com contratos bilionários, suspeitas de corrupção, paralisações e abandono de canteiros, o VLT consumiu recursos públicos milionários sem jamais transportar um único passageiro.

Durante anos, trilhos abandonados, estruturas deterioradas e avenidas destruídas se tornaram parte da paisagem urbana da capital mato-grossense e de Várzea Grande. A situação gerou impactos econômicos, congestionamentos históricos, prejuízos ao comércio local e revolta permanente da população que conviveu diariamente com poeira, interdições e lentidão nas principais vias da região metropolitana.

Na tentativa de encerrar o desgaste político causado pelo fracasso do VLT, o Governo de Mato Grosso decidiu substituir o modal pelo sistema BRT, considerado mais barato e de implantação mais rápida. No entanto, o novo projeto também passou a enfrentar críticas pela lentidão das obras, mudanças constantes no planejamento e dificuldades de execução, especialmente em corredores estratégicos como a Avenida do CPA e a Avenida Fernando Corrêa.

O governador reconheceu os problemas e afirmou que publicará um decreto criando uma força-tarefa permanente para fiscalizar diariamente o andamento das obras. O grupo será formado por integrantes das áreas de infraestrutura, cidades e turismo do governo estadual, que terão a missão de acompanhar presencialmente o cronograma e cobrar agilidade da execução.

Segundo Pivetta, a intenção é colocar o primeiro trecho em funcionamento antes do avanço para os demais ramais previstos no projeto. A proposta do governo é integrar gradativamente diversos corredores de Cuiabá e Várzea Grande ao sistema de transporte coletivo de alta capacidade, prometendo conforto, rapidez e menor impacto ambiental.

Especialistas em mobilidade urbana avaliam que o sucesso do BRT será decisivo para redefinir o futuro do transporte coletivo na região metropolitana. Atualmente, Cuiabá e Várzea Grande enfrentam um dos cenários mais críticos de mobilidade urbana do Centro-Oeste, marcado pelo aumento acelerado da frota de veículos, transporte coletivo desgastado e longos congestionamentos nos horários de pico.

Mesmo diante da nova promessa do governo, parte da população ainda reage com cautela. Para muitos moradores, o trauma deixado pelo fracasso do VLT tornou qualquer anúncio envolvendo grandes obras de mobilidade motivo de desconfiança. A cobrança agora é para que o sistema finalmente saia do papel e deixe de ser apenas mais um projeto marcado por discursos políticos e obras intermináveis.

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