Vereadora Karen Santos critica operação no RJ e diz que traficantes são “trabalhadores megaexplorados

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Ana Paula Figueiredo

A vereadora Karen Santos (PSOL) criticou duramente a operação policial no Rio de Janeiro que resultou na morte de 134 pessoas, classificando o episódio como “a maior chacina da história do país”. A declaração foi feita durante sessão da Câmara Municipal de Porto Alegre, onde a parlamentar defendeu uma mudança profunda na política de segurança pública brasileira.

Segundo Karen, o caso evidencia o fracasso da guerra às drogas, política “importada dos Estados Unidos na década de 1970 e repetida no Brasil sem resultados concretos”. Ela argumentou que a estratégia bélica não reduziu o tráfico, não salvou vidas e aprofundou a segregação urbana e racial, atingindo principalmente jovens negros das periferias.

A vereadora também questionou a origem das armas de uso restrito encontradas com as facções criminosas e sugeriu a existência de corrupção institucional.

“Não há plantação nem fabricação de drogas nas periferias. As maiores apreensões de fuzis ocorrem em locais de elite, como apartamentos de empresários e aeroportos. Só não vê quem não quer ver”, afirmou.

Karen destacou ainda a estrutura financeira do tráfico, afirmando que “megafacções têm investimentos em bolsa, agronegócio e até em campanhas políticas”, enquanto o dinheiro do crime é lavado “em grandes centros financeiros, como a Faria Lima, em São Paulo”.

Durante o discurso, a parlamentar gerou repercussão ao dizer que traficantes são ‘trabalhadores megaexplorados e sem direitos’, comparando o tráfico a outros setores produtivos que movimentam o capitalismo.

Como alternativas, Karen defendeu a regulamentação das drogas, para reduzir o poder econômico das facções e permitir controle tributário, além de políticas de emprego e renda voltadas a populações vulneráveis.

Ela também acusou setores políticos e econômicos de lucrar com a continuidade da guerra às drogas, citando a indústria armamentista e possíveis relações comerciais com o Estado de Israel.

“Problemas complexos não se resolvem com soluções rasas. É preciso abandonar a lógica do confronto e pensar em alternativas estruturais”, concluiu.