Ana Paula Figueiredo
Auditoria critica fiscalização remota da Infraero e inconsistências em planilhas de custos da construtora
O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas na fiscalização das obras de ampliação do Aeroporto Regional de Sorriso, em Mato Grosso, projeto de R$ 25 milhões considerado estratégico para o escoamento da produção agrícola.
A auditoria, realizada entre abril e junho de 2025, aponta que a Infraero não mantém um fiscal presencial em tempo integral, elevando o risco de problemas na execução da obra. O servidor responsável está lotado em Mossoró (RN), a mais de 3 mil quilômetros de distância.
O investimento inclui reforma e ampliação do pátio de aeronaves, construção de novas pistas de táxi e acessos viários, preparando o aeroporto para receber aeronaves de grande porte, como Airbus A320 e Boeing 737.
Além da fiscalização remota, o TCU identificou inconsistências nas planilhas de custos da empresa São Paulo Engenharia Ltda., incluindo itens sem relação com o serviço aeroportuário, como enxofre, adubo NPK e grama batatais, e produtividade subdimensionada. Para o Tribunal, essas falhas indicam deficiências nos controles internos da Infraero e descumprimento da Lei das Estatais (Lei 13.303/2016).
O relatório também registrou atraso no cronograma: até abril de 2025, apenas 32,64% da obra estava concluída, contra 40,85% previsto. A Infraero justificou o atraso por excesso de chuvas e impacto da colheita na demanda por caminhões. O TCU aceitou a justificativa e não exigiu medidas adicionais.
Com crescimento de 35% no movimento de cargas em 2024, a ampliação do aeroporto é considerada essencial para o agronegócio mato-grossense. O TCU recomenda que a Infraero avalie a necessidade de manter fiscalização presencial para reduzir riscos e garantir a qualidade da obra.