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Da Redação
A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira, no Hotel D’Luca, em Cuiabá, o principal alvo da Operação Paralelo 5, ação que desmantelou uma organização criminosa responsável por desviar milhões de reais de hospitais públicos nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. O homem capturado na capital mato-grossense é apontado como chefe do núcleo financeiro do esquema e articulador das fraudes que envolviam notas fiscais frias, contratos simulados e o uso de empresas de fachada para escoar recursos destinados exclusivamente à saúde.
A prisão em Cuiabá ocorreu de forma rápida e cirúrgica. Equipes da PF cercaram o hotel ainda de madrugada e cumpriram o mandado de prisão preventiva expedido pelo Juízo de Garantias da 2ª Vara Federal de Santana do Livramento (RS). O investigado foi surpreendido no apartamento onde estava hospedado havia alguns dias, após abandonar endereços em outros estados para tentar escapar do cerco policial. Ele era o responsável por autorizar a distribuição imediata dos valores desviados para dezenas de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas sem qualquer vínculo com os hospitais conveniados.
No total, a operação cumpriu 24 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão em dez cidades. No Rio Grande do Sul, as diligências ocorreram em Jaguari, Porto Alegre, Santiago, Gravataí, Alvorada e Gramado. Em São Paulo, foram cumpridos mandados em Osasco, São Paulo e Buda’s Artes, e em Santa Catarina um imóvel foi sequestrado em Balneário Camboriú. A operação também atingiu Boa Vista, em Roraima. Além disso, a Justiça Federal determinou a intervenção imediata nos hospitais de Jaguari e Buda’s Artes, epicentros dos desvios e unidades onde as irregularidades foram inicialmente identificadas.
Desde janeiro de 2024, a PF investiga um grupo de empresários sediados em Porto Alegre que assumiu a gestão de hospitais municipais e passou a operar um esquema milionário de corrupção. Segundo as apurações, o grupo usava estruturas de fachada e entidades intermediárias para emitir notas fiscais falsas, esconder a movimentação real do dinheiro e justificar despesas inexistentes. Valores considerados “astronômicos” eram dispersados rapidamente para contas de terceiros, enquanto o dinheiro público financiava salários superfaturados de funcionários fantasmas, aluguéis de imóveis de luxo, viagens, pagamentos pessoais e uma rotina de gastos incompatíveis com qualquer atividade legal.
A operação também teve forte impacto patrimonial. Foram sequestrados 14 imóveis, apreendidos 53 veículos, uma embarcação, além do bloqueio judicial de R$ 22,5 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados. Outras 20 pessoas foram alcançadas por medidas cautelares, incluindo afastamento de funções públicas, suspensão de atividades econômicas, restrição de acesso a órgãos públicos e proibição de contratar com entes governamentais.
Os envolvidos responderão pelos crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, falsidade documental e outros delitos relacionados à malversação de recursos destinados à saúde pública. A PF informou que as investigações continuam para identificar novos beneficiários, ramificações interestaduais e a possível participação de agentes públicos na cadeia de desvios.
A prisão realizada em Cuiabá é considerada uma das peças centrais da Operação Paralelo 5 e marcou o desmonte do núcleo financeiro da quadrilha, que por meses movimentou valores milionários retirados diretamente dos hospitais de Jaguari e Buda’s Artes. Com a ação desta terça-feira, a PF reforça que permanece em andamento o rastreamento de todo o patrimônio acumulado de forma ilícita e das transações utilizadas para mascarar o destino final dos recursos desviados.