Operação CPX desarticula núcleo de assassinos do CV em MT: líder é morto em troca de tiros , 7 são presos, 3 foragidos após 11 mandados cumpridos, VEJA QUEM SÃO
JB News
Por Nayara Cristina
Na manhã desta sexta-feira (5), a Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Ditadura Faccional CPX, destinada a desarticular uma célula do Comando Vermelho (CV) com atuação identificada em Cuiabá, Várzea Grande e Jaciara. Ao todo, 11 mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão foram cumpridos — mas o desfecho da ação revela o grau de organização e periculosidade do grupo: um dos alvos resistiu e morreu em confronto, sete foram presos, e três continuam foragidos. 
O homem apontado como chefe da célula, Bruno César Amorim Santos — conhecido como “Vasco” — reagiu à abordagem e foi baleado. A Polícia Civil o considera responsável por ordenar execuções dentro da facção e comandar disputas territoriais. Investigadores apontam que Vasco esteve diretamente envolvido no homicídio de José Wallafe dos Santos, ocorrido em agosto, durante conflito por controle de áreas em Várzea Grande. A vítima foi sequestrada junto da sua esposa e de um filho de apenas 2 anos; o corpo foi encontrado dias depois em cova rasa, com sinais de violência extrema. Não há indícios de que José tivesse envolvimento com facções: segundo relatos, havia se mudado há pouco para Mato Grosso junto da família. 
Para as autoridades, a morte de Vasco representa um golpe direto à estrutura de comando do CV na região — mas a operação vai além dessa execução. A investigação, conduzida pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), buscava desarticular o grupo após diversos crimes atribuídos ao bando: homicídios, torturas, ocultação de cadáver e disputas por território. 
Entre os presos estão homens e mulheres com funções distintas dentro da facção: desde apoio logístico e financeiro até execução de crimes. A lista de detidos confirma a amplitude da rede criminosa e o grau de organização do grupo. 
As autoridades foram precisas ao apontar os alvos: foram presos Katiane da Silva Flôr Lara (32 anos), Samuel Galheiro dos Santos — o “SG” —, Dioge (ou Diogo) da Silva Rodrigues (33 anos), Akillis (ou Aquiles) Brandão Evangelista (26 anos), Joel Aparecido da Silva, o “Pé Fofo”, Robert Assis de Oliveira (31 anos), além de um casal detido em Jaciara, investigado por um homicídio ocorrido em março, no bairro Três Barras, em Cuiabá. 
Por outro lado, três dos alvos continuam foragidos: identificados como Guilherme da Silva (vulgo “Formiga”), Fábio Luciano Ribeiro da Cruz (conhecido como “MN Boy”) e Michelly Gomes de Sousa — 22 anos. A polícia considera os três de alta periculosidade, com papel importante na organização da facção: comunicação interna, logística e execuções. 
A investigação detalha também que há crimes distintos que motivaram os mandados: além da execução de José Wallafe, um outro homicídio, ocorrido em 19 de março em Cuiabá, motivado por ciúmes e disputas pessoais, foi atribuído ao grupo. Nesse caso, um casal relatado por testemunhas foi preso em Jaciara durante a operação. 
Para as autoridades, a Operação CPX integra o plano “Tolerância Zero” do governo estadual contra facções criminosas. A expectativa agora é de que a combinação de provas — celulares apreendidos, depoimentos, perícias — permita rastrear rotas de fuga dos foragidos, conexões com outros núcleos da facção e revelar a amplitude da rede criminosa no estado. 
Mas a ação não fecha por aqui: a polícia já sinaliza que novas fases da operação podem ocorrer nos próximos dias, com possibilidade de novas prisões, aprofundamento nas apurações e desdobramentos sobre crimes anteriores atribuídos ao grupo. O impacto da operação vai além da detenção: representa um recado claro de que o Estado retoma o controle de territórios antes dominados pela facção.
Para os investigadores, o enfraquecimento do núcleo traz esperança de diminuição dos ciclos de violência, de desaparecimentos e execuções motivadas por disputas internas ou por controle de rotas de tráfico. A população, que convive há anos com medo e insegurança em áreas dominadas pelo grupo, aguarda desfechos — e espera que a Justiça chegue também aos foragidos.