“O momento agora é da industrialização”, diz presidente da Famato ao destacar que ZPE de Cáceres abre nova era de oportunidades em meio à reforma tributária

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JB News por Nayara Cristina A inauguração da Zona de Processamento de Exportação de Cáceres, realizada nesta sexta-feira (24), encerrou uma espera de mais de três décadas e marcou o início de uma nova fase para a economia mato-grossense. O empreendimento, que enfrentou anos de paralisações e incertezas, finalmente foi entregue pelo Governo do Estado, consolidando um projeto que promete transformar a fronteira oeste em um polo de desenvolvimento industrial e exportador. Durante o evento, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, destacou que o Estado vive um momento de transição, em que a industrialização passa a ser o caminho para garantir crescimento e competitividade diante das mudanças provocadas pela reforma tributária. “Tendo a oportunidade de ver esse lançamento, essa inauguração da nossa ZPE aguardada por mais de três décadas, nós estávamos aqui toda a expectativa. Aqui vai ser uma abertura muito grande, não só para Cáceres, mas também para todos os lados da fronteira. Tenho certeza que o trabalho do governador Mauro Mendes, a partir de agora, será fundamental. O nosso é o país da produção. O nosso é o momento da gente atrair essas pessoas, de trazer mais, de produzir e gerar mais valor”, afirmou o presidente da Famato, emocionado com o novo cenário que se desenha para o agronegócio e para o setor produtivo mato-grossense. Tomain reforçou que a ZPE é uma oportunidade para o Estado dar um passo adiante e deixar de ser apenas exportador de matéria-prima. “Essa ZPE é um mecanismo de facilitação. Vai ser um facilitador para as pessoas que queiram investir em Mato Grosso. As pessoas de fora que vêm para o Brasil vão encontrar aqui uma porta aberta, uma janela de oportunidade. O momento agora é a industrialização. A agroindústria está mostrando o caminho que a gente tem que seguir. Nós não podemos continuar apenas vendendo produtos primários. Temos que transformar, agregar valor e gerar riqueza aqui dentro”, destacou. O presidente da Famato também alertou para o período de ajustes que o país viverá com a implantação da reforma tributária e ressaltou que os estados produtores, como Mato Grosso, serão os mais afetados. “Nós estamos passando por um momento que vai ser conturbado com relação à aprovação da reforma tributária, que impacta muito principalmente em estados produtores como o nosso. Vai haver um choque sim. A carga, no primeiro momento, vai aumentar, e quem vai pagar essa conta é o produtor, o consumidor e a sociedade. Nós temos que buscar alternativas para não sacrificar quem trabalha e quem produz”, afirmou. Segundo Tomain, a nova estrutura econômica que começa a se formar em torno da ZPE de Cáceres representa um caminho para diversificar e fortalecer a base produtiva do Estado. Ele destacou que o setor agroindustrial tem sido protagonista nesse processo, especialmente com o crescimento da produção de etanol de milho, que já coloca Mato Grosso em posição de destaque nacional. “Hoje somos o único etanol de milho do Brasil e tenho certeza que logo logo nós vamos alcançar o status de maior produção do país. Nós já somos um potencial muito grande nessa área, principalmente aqui onde nós estamos, que é referência no nosso território e no Brasil. Temos que transformar, agregar valor e preparar o Estado para novos investimentos”, afirmou. A Zona de Processamento de Exportação de Cáceres foi criada em 1990, mas permaneceu travada por décadas até que o Governo de Mato Grosso retomasse o projeto, investindo mais de R$ 50 milhões em obras de infraestrutura e na regularização da área, que agora conta com cerca de 247 hectares e 341 lotes industriais prontos para receber empresas voltadas à exportação. A expectativa é de que o espaço se torne um eixo de industrialização e escoamento de produtos com maior valor agregado, conectando o oeste mato-grossense a mercados internacionais através da hidrovia Paraguai-Paraná e das novas rotas logísticas que estão sendo estruturadas. Para Tomain, o momento exige visão estratégica e capacidade de adaptação. “O Estado precisa se reinventar. Temos que entender o que está por vir, orientar os produtores e as empresas e buscar o melhor caminho. O que não podemos é continuar dependendo apenas da venda de commodities. O futuro de Mato Grosso está em transformar o que produz, gerar empregos, renda e desenvolvimento dentro do Estado”, concluiu. A fala do presidente da Famato traduz o sentimento de um setor que vê na ZPE de Cáceres não apenas uma obra concluída, mas o início de uma nova era de oportunidades, de reestruturação econômica e de fortalecimento da agroindústria mato-grossense. Em meio a um cenário de mudanças tributárias e desafios fiscais, a voz de Vilmondes Tomain ecoa como um chamado: é hora de transformar produção em indústria, e oportunidades em progresso real. Veja https://youtu.be/GDYIhUUstiU?si=yF9gZnHB36ZRuroF