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Por Jota de Sá
O 3º Congresso de Cerialista Brasileiro da ACEBRA foi oficialmente aberto nesta quarta-feira (27), no resort Malai Manso, em Cuiabá, reunindo governadores, senadores, empresários e parlamentares de todo o país. Consolidado como o maior encontro do setor, o evento marca o crescimento institucional da entidade, o fortalecimento da representatividade política dos cerealistas e a ampliação da sua influência nacional.
Durante mais de dez minutos, o presidente da ACEBRA, Jerônimo Goergen, fez um discurso forte e histórico para o setor, resgatando a origem da entidade, a luta política e a ascensão do cerealista brasileiro no cenário do agronegócio nacional. Jerônimo relembrou que, quando deixou a vida pública, há três anos, muitos duvidaram da capacidade de transformar aquele movimento inicial em um organismo representativo. O Congresso de Foz do Iguaçu, segundo ele, foi apenas o primeiro capítulo de uma trajetória que une lideranças de 11 estados e consolidou a ACEBRA como protagonista do agro e da indústria de grãos no Brasil.
“Eu sempre digo que um dos discursos que eu menos gostei, que eu fiz na vida, foi o da minha formatura. Então decidi que nunca mais escreveria para falar. Mas hoje eu confesso que fiquei nervoso, porque o desafio que começamos há três anos atrás, quando eu deixei a vida pública, foi enorme”, afirmou.
Jerônimo também recordou o momento em que decidiu aceitar o desafio de presidir a entidade. Segundo ele, desde as primeiras reuniões, a união de empresários e lideranças foi o motor para que o setor deixasse de se enxergar como secundário e assumisse seu papel de protagonismo dentro da cadeia agroindustrial brasileira.
Ao relembrar a realização das edições anteriores do congresso, ele destacou que nunca houve certeza do sucesso. “Nós não sabíamos o que ia acontecer. No ano seguinte fomos para o Rio Grande do Sul e novamente nos surpreendemos. Quando disseram que a terceira edição seria em Mato Grosso, eu pensei: ‘meu Deus, agora vai dar errado’. E novamente nós nos superamos.”
O presidente da ACEBRA afirmou que a realização do congresso em Cuiabá representa mais do que um encontro técnico: simboliza o avanço do setor no debate nacional e a capacidade do cerealista de dialogar com o poder público, participar de decisões estratégicas e defender interesses do agro brasileiro.
“Hoje nós temos aqui o evento com o maior número de associados. Éramos quatro estados, agora somos onze. E eu quero citar aqui aqueles que estão chegando, que acreditaram nesse movimento e ajudaram a construir essa entidade”, disse.
Durante o discurso, Jerônimo ressaltou a presença maciça de lideranças políticas e destacou que o setor não deve se intimidar diante dos debates eleitorais ou ideológicos. Segundo ele, o cerealista é antes de tudo um defensor do Brasil e precisa atuar junto de quem tem disposição para fazer o país crescer.
Em uma das frases de maior impacto, ele declarou que o setor vai se posicionar nas eleições de 2026:
“Eu sempre digo: nós não temos medo de conversar com político. O Brasil não vai ficar nem na direita, nem na esquerda. Ele vai ficar ao lado de quem representar o país.”
Jerônimo citou nominalmente governadores, parlamentares federais e estaduais, além de ex-ministros e empresários que participam do congresso. Segundo ele, a presença ampla e plural confirma que o setor evoluiu em organização e desprendimento ideológico para dialogar com quem comanda o país.
O presidente destacou ainda episódios recentes em que a ACEBRA participou diretamente de negociações em Brasília e evitou prejuízos ao setor. Ele lembrou que, por meio da bancada agropecuária, das entidades representativas e do diálogo com empresas privadas, foi possível impedir aumento de 11% na tributação das cooperativas do agro. Para Jerônimo, esse foi o exemplo mais claro da força política do cerealista brasileiro.
“Se ano passado iam acabar com as empresas cerealistas, e nós evitamos juntos, isso só foi possível porque nós estávamos representados. Isso aconteceu porque nós tínhamos união, lideranças e responsabilidade.”
Ao final do discurso, Jerônimo afirmou que a ACEBRA seguirá avançando, representando o agro e contribuindo para construir um país mais eficiente, competitivo e desenvolvido. Ele encerrou reforçando que o cerealista não irá se esconder do debate nacional, nem se submeter a posições ideológicas. A entidade, segundo ele, seguirá ao lado de quem estiver disposto a fazer o Brasil crescer.
O Congresso segue até sexta-feira com as principais lideranças do agronegócio nacional, painéis técnicos, debates sobre logística, tributação, juros, comércio internacional e o futuro da cadeia de cereais. A expectativa é que o evento defina posicionamentos estratégicos, amplie a representatividade política do setor e fortaleça o protagonismo do agro brasileiro nas eleições de 2026.
veja :
https://youtu.be/LtI9DKlWNto?si=MyNtng8osLwQPNYJ