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Por Nayara Cristina
A crise provocada pela destituição da executiva estadual do PRD em Mato Grosso, determinada pela direção nacional do partido sob comando de Vasco Rezende, continua gerando forte repercussão no meio político e acentuando o clima de insegurança entre lideranças e pré-candidatos às eleições de 2026. A decisão, tomada sem comunicação prévia ao grupo que conduzia a sigla no estado, interrompeu de forma abrupta a articulação liderada por Mauro Carvalho, ex-chefe da Casa Civil e aliado direto do governador Mauro Mendes.
A poucos dias do encerramento do prazo de filiação partidária, previsto para 4 de abril, a medida desorganizou completamente o planejamento político do PRD em Mato Grosso, que estava em fase final de montagem das chapas proporcionais para deputado estadual e federal. A promessa de unidade, reforçada recentemente por Mauro Carvalho ao garantir que todos os pré-candidatos estariam concentrados em um único projeto partidário, acabou sendo desfeita pela intervenção nacional.
Nos bastidores, a crise ganhou contornos ainda mais sensíveis com a circulação de informações que atribuem a articulação da mudança a grupos políticos ligados ao senador Wellington Fagundes e à deputada Janaína Riva, embora nenhuma definição oficial sobre o novo comando da sigla tenha sido anunciada até o momento.
Ao comentar o episódio, o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, adotou um tom ao mesmo tempo crítico e realista, destacando que, apesar do impacto negativo, esse tipo de movimentação é recorrente no ambiente partidário brasileiro. Segundo ele, a intervenção reflete uma prática comum das direções nacionais, ainda que traga prejuízos políticos significativos.
“Já vi esse filme. Isso é natural da política, acontece. É lamentável, mas acontece”, afirmou o prefeito, ao relatar que já presenciou situações semelhantes ao longo de sua trajetória. Abílio destacou que, embora seja uma prática considerada normal dentro da lógica partidária, ela expõe a fragilidade das construções regionais diante de decisões centralizadas e, muitas vezes, desconsidera o esforço coletivo de filiados e pré-candidatos.
A declaração também dialoga com o atual cenário político do estado. Filiado ao PL, partido do senador Wellington Fagundes — apontado nos bastidores como possível articulador da mudança —, Abílio já deixou claro em outras ocasiões que não pretende apoiá-lo em uma eventual disputa ao governo. O prefeito tem sinalizado uma postura de neutralidade, ao mesmo tempo em que mantém maior proximidade política com o governador em exercício Otaviano Pivetta.
Para observadores do cenário político, o episódio evidencia a intensidade das disputas internas e a antecipação das movimentações eleitorais para 2026. A destituição repentina da executiva estadual do PRD, sem transição ou aviso, reforça a percepção de que os interesses nacionais frequentemente se sobrepõem às estratégias locais, gerando instabilidade e incerteza em momentos decisivos.
Enquanto isso, filiados e pré-candidatos do PRD em Mato Grosso seguem sem definição sobre o futuro político, em meio a um cenário de incerteza que pode impactar diretamente a formação das chapas e o equilíbrio das próximas eleições. A crise, como resumiu Abílio Brunini, pode até ser comum — mas nem por isso deixa de ser profundamente desgastante para quem está no campo de batalha político.
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