Ana Paula Figueiredo
Mauro Mendes destaca avanços, critica soltura rápida de presos e anuncia novas ações para reforçar a segurança
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, apresentou nesta quinta-feira (27) o balanço de um ano do Programa Tolerância Zero durante coletiva de imprensa. Segundo ele, os indicadores de segurança melhoraram em diversas áreas, resultado de investimentos contínuos em tecnologia, equipamentos, ampliação do efetivo, aumento de viaturas e fortalecimento da infraestrutura das forças policiais.
Mendes afirmou ter “convicção” de que o Estado cumpre seu papel, mas criticou mudanças recentes na legislação penal que, em sua avaliação, dificultam a continuidade do trabalho policial.
Como exemplo, citou a lei proposta pela senadora Margareth Buzetti, que aumentou para 40 anos a pena de feminicídio e determinou que 55% da pena seja cumprida em regime fechado. Para o governador, leis mais rígidas são essenciais para reduzir a sensação de impunidade no país.
Ele também criticou a soltura rápida de suspeitos nas audiências de custódia, afirmando que muitos envolvidos em extorsão e outros crimes são liberados no dia seguinte, o que, segundo ele, enfraquece o combate às facções. Mendes comentou ainda o relatório do Instituto Sou da Paz, que aponta aumento de homicídios em municípios do interior, como Vila Bela da Santíssima Trindade.
O governador destacou que o cenário deve ser analisado de forma geral, onde mais de 90% dos indicadores teriam apresentado melhora, e afirmou que a proximidade com países produtores de drogas torna regiões de fronteira mais vulneráveis.
Durante a coletiva, Mendes falou sobre campanhas de conscientização e reforçou que jovens que entram para facções enfrentam apenas “duas saídas: prisão ou cemitério”.
Ele pediu sugestões da sociedade, disse que críticas são legítimas e ressaltou que o governo tem atuado dentro dos limites da lei. O governador anunciou ainda o aumento do auxílio pago a mulheres vítimas de violência, que passou de R$ 600 para R$ 800, e confirmou a criação de um gabinete específico para articular políticas de proteção às mulheres, integrando áreas como segurança, educação, assistência social e comunicação.
Mendes também destacou os investimentos no sistema prisional, que passaram de R$ 1 milhão para R$ 77 milhões anuais, e citou ações de combate à corrupção, como a prisão de 16 agentes penitenciários e flagrantes envolvendo 25 advogados tentando entrar com drogas e celulares em unidades prisionais.
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