Do Fusca ao maior império de grãos do Brasil: Blairo Maggi conta em Congresso a saga que começou na roça e virou potência global “É preciso sonhar”, VEJA O VÍDEO

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JB News

Por Jota de Sá

 

Durante sua participação no 3º Congresso Brasileiro de Cerealistas, realizado no Malai Manso Resort, em Cuiabá, o ex-governador de Mato Grosso, ex-ministro da Agricultura e um dos maiores empresários do ramo de commodities do mundo, Blairo Maggi, fez uma das mais marcantes narrativas sobre sua vida e sobre a transformação do agronegócio brasileiro. Em um discurso que mesclou história pessoal, memória familiar e visão de futuro, Maggi voltou ao início dos anos 1970 e 1980 para contar como saiu da vida simples no Paraná para construir um dos maiores grupos cerealistas e logísticos do planeta.

Segundo ele, tudo começou não nos grandes investimentos, mas no esforço manual e no improviso da vida no campo. “Meu pai me deu um trator velho e disse: vai plantar. Eu devia ter uns 11 ou 13 anos. Fiz os primeiros 15 ou 30 hectares de lavoura da Maggi que vocês conhecem hoje. Eu pilotava o trator e minhas irmãs abriam sacaria para colocar a semente”, relembrou. Foi a primeira semente da Maggi, quando a família ainda comprava sementes no Rio Grande do Sul para revender aos agricultores no Paraná, em um comércio improvisado, mas visionário.

Com o crescimento, surgiu o primeiro armazém. Depois, o primeiro CNPJ. Nascia em 1977 a Sementes Maggi, comandada pelo pai, André Maggi, pela mãe e por Blairo. A história, ainda pequena, começava a ganhar fôlego. “Nós começamos muito pequenos. Não tínhamos acesso às grandes empresas. Não havia estrada, não havia porto, não havia estrutura para vender direto. A gente vendia para outro cerealista”, contou.

A virada definitiva aconteceu com a decisão de mudar para Mato Grosso nos anos 80. Foi o ponto que transformou uma empresa familiar local em um grupo global. “Eu e a Teresinha morávamos na fazenda com um motorzinho gerador. Cobria o bercinho da minha filha com lençol para não amanhecer cheio de poeira. Não tinha energia, cidade, estrada. Mas tinha futuro”, disse. A escolha por Sapezal e regiões isoladas do Norte parecia arriscada e improvável, mas se mostrou decisiva.

Sem acesso aos portos e às grandes tradings, Blairo inovou e revolucionou o transporte de grãos no país. Foi quando desenvolveu o projeto da logística pelo Rio Amazonas. “Em 1997 nós fizemos o primeiro embarque de soja pelo Rio Amazonas. Tiramos mil quilômetros de estrada e reduzimos trinta dólares por tonelada. Ninguém acreditava. Nem as multinacionais. Eu assumi o risco”, destacou. O projeto abriu uma rota inédita de exportação e mudou o agro brasileiro. Foi o início do grande corredor logístico que transformou Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e agora Roraima, tornando o Norte competitivo e estratégico para o mundo.

Blairo lembrou que muitas vezes enfrentou barreiras que hoje parecem óbvias, mas que na época não existiam. “Primeiro não tínhamos acesso às multinacionais. Depois não tínhamos acesso ao porto. Sempre faltava uma peça.” A empresa virou gigante quando passou a competir diretamente com as maiores do planeta, com frota própria, navios, barcaças, ferrovia, armazéns e indústria. Hoje, a Maggi movimenta 23 milhões de toneladas de grãos, opera em diversos países, fatura bilhões anualmente e disputa mercado com players globais como Cargill, ADM e Dreyfus.

Durante seu relato, Maggi também exaltou a força do agronegócio mato-grossense. “Quando eu cheguei aqui, eu pensava se um dia Mato Grosso seria importante como o Paraná. Hoje Mato Grosso produz mais de 100 milhões de toneladas de grãos.” Ele também elogiou os investimentos do governo estadual em infraestrutura, ao lembrar do período em que foi governador. “O progresso não anda em estrada de chão. Se tem estrada e energia, tem futuro.”

E voltou seu discurso aos cerealistas presentes no evento: “Sempre há espaço para outro cerealista. Nunca deixe de sonhar. A Maggi só chegou onde está porque ousou, inovou e arriscou. Já fui pequeno. Já tive as mesmas dificuldades que todos tiveram aqui.”

Ao final, foi ovacionado pela plateia ao relembrar sua imagem mais simbólica: quando um Fusca, um trator velho e uma casa na roça significavam apenas sobrevivência, e não um império. “Se você está disposto a apostar no futuro e arriscar, o caminho existe. Oportunidade sempre existe.”

Blairo Maggi deixou o palco sendo reconhecido não apenas por seus números, mas por ter ajudado a escrever uma parte essencial da história do agronegócio brasileiro — e por transformar uma história comum de roça, poeira, fusca e coragem na base de um dos maiores grupos cerealistas do planeta.

VEJA :

https://youtu.be/FmnaxSM5v_w?si=U_IYlSxy6mct9ob9