Ana Paula Figueiredo
Deputado afirma que indígenas precisam de assistência técnica e não de mais terras; Governo de MT deve acionar o STF
O deputado estadual Júlio Campos afirmou que a decisão do governo federal de ampliar três reservas indígenas em Mato Grosso. Segundo ele, a medida é “demagógica” e causa prejuízos ao desenvolvimento econômico e social do Estado.
Campos afirmou que a ampliação, determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não atende às necessidades reais das comunidades indígenas. Ele citou como exemplo a ampliação da Reserva do Monfubí, que teria recebido mais 250 mil hectares, apesar de abrigar apenas 503 indígenas.
De acordo com o parlamentar, lideranças indígenas têm buscado equipamentos agrícolas, assistência técnica, financiamento e apoio para produção familiar — e não novas extensões de terra. “Eles querem trabalhar, querem produzir. Temos indígenas formados em áreas como agricultura, veterinária e agronomia. O que eles pedem é estrutura, não mais território”, declarou.
O deputado citou ainda um editorial do jornal O Estado de S. Paulo, que aponta abandono e dificuldades em territórios indígenas e quilombolas. Para ele, a política do governo Lula atende interesses ideológicos e de ONGs internacionais, sem resolver os problemas enfrentados pelas comunidades.
Campos defendeu que tanto o Governo de Mato Grosso quanto a Assembleia Legislativa ingressem com ações no Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar a ampliação. “O governador já determinou que a Procuradoria-Geral do Estado vai acionar o STF. E nada impede que a Assembleia faça o mesmo. É preciso reagir a esse absurdo”, afirmou.
O parlamentar reforçou que o Estado precisa de recursos e apoio federal para saúde, produção e assistência às comunidades indígenas, e não de novas demarcações consideradas, por ele, “sem necessidade”.