Deputado propõe reforço à saúde mental em MT após aumento de casos no pós-pandemia

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dEAna Paula Figueiredo

Projeto destina recursos para novos CAPS, leitos e capacitação; mulheres são maioria nos casos no estado

A pandemia de Covid-19 deixou impactos profundos na saúde emocional da população. No Brasil, mais de 16,3 milhões de adultos têm diagnóstico de depressão. Em Mato Grosso, mais de 205 mil pessoas convivem com o transtorno, sendo cerca de 165 mil mulheres e 40 mil homens. O aumento de casos de ansiedade, depressão e crises psiquiátricas desde 2020 gerou sobrecarga na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) em municípios de todo o estado.

Diante desse cenário, o deputado Carlos Avallone (PSDB) colocou o fortalecimento da saúde mental como prioridade na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Para mapear a situação, foi criada a Câmara Setorial Temática da Atenção Psicossocial, que articula governo estadual, prefeituras, universidades, sindicatos e especialistas. O levantamento identificou déficit de CAPS, falta de leitos de curta duração e ausência de atendimento especializado em cidades menores do estado.

Atualmente, Mato Grosso conta com 48 CAPS distribuídos em cerca de 39 municípios, oferecendo atendimento interdisciplinar com psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e auxiliares de enfermagem. O projeto de Avallone prevê a construção de novos CAPS, implantação de leitos de retaguarda, residências terapêuticas e capacitação de profissionais.

A avaliação do projeto será feita a partir de indicadores objetivos: número de unidades instaladas, cobertura por município, quantidade de leitos criados, profissionais capacitados e população atendida. O deputado acompanha pessoalmente a implementação junto aos municípios e à rede de saúde de Mato Grosso.

Avallone afirmou que sua mobilização começou após uma situação familiar aonde a sua filha enfrentou dois anos de tratamento pós-pandemia, inspirando a criação do projeto social Esculta, que já atendeu mais de mil pessoas no estado. No âmbito legislativo, ele estruturou ações para fortalecer a rede pública de saúde mental.

Com base em suas articulações, foram garantidos R$ 88 milhões no PPA 2024-2027, exclusivos para saúde mental em Mato Grosso, sendo que mais de R$ 20 milhões anuais já estão sendo repassados para custeio e ampliação dos serviços.

Os recursos serão destinados à criação de novos CAPS I, II, III e CAPSi (voltado ao público infantojuvenil), abertura de leitos de retaguarda, fortalecimento das residências terapêuticas e capacitação de profissionais. Até o início de 2025, 11 municípios mato-grossenses devem inaugurar novas unidades.

“O pós-pandemia mostrou que a saúde mental precisa ser prioridade. Muitas pessoas adoeceram emocionalmente, e Mato Grosso deve estar preparado para acolher quem enfrenta sofrimento psíquico”, afirmou Avallone.

Se implementado integralmente, o projeto pode reduzir internações prolongadas, evitar crises graves e melhorar o acesso de centenas de famílias mato-grossenses à atenção psicológica e psiquiátrica, consolidando uma política pública permanente no estado.

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