O governador Mauro Mendes já foi questionado diversas vezes pela imprensa sobre essa possibilidade. Em entrevistas, Mendes afirma que estudou o modal, mas que decisões dessa grandeza exigem cautela técnica e responsabilidade fiscal. O governador costuma dizer que o “governo trabalha em silêncio”, avaliando cenários antes de qualquer anúncio público para evitar precipitação ou nova descontinuidade em obras já iniciadas.
Apesar da empolgação com o BUD, cuiabanos e várzea-grandenses acompanham o debate com atenção e certo receio. A lembrança do VLT, Veículo Leve Sobre Trilhos projetado para a Copa de 2014, ainda dói. O modal que prometia modernidade se transformou em caso de polícia: obras paradas, bilhões investidos, investigações por desvio de recursos e a prisão do ex-governador Silval Barbosa em desdobramentos que marcaram a política de Mato Grosso. As trincheiras ficaram sem uso, o projeto foi abandonado e parte dos vagões acabou vendida para o governo da Bahia, onde hoje opera. O que era o “sonho cuiabano” virou pesadelo urbano.
Por isso, a população teme que uma nova mudança na rota da mobilidade volte a paralisar obras, especialmente o BRT, que está em andamento. A preocupação é que uma troca de modal possa adiar ainda mais a entrega de um sistema que funcione de fato. Mesmo assim, o debate volta ao centro da pauta com força renovada. Mauro Mendes já afirmou que o prefeito tem legitimidade para propor alternativas e que o estado está aberto à discussão, desde que sustentada em estudos e viabilidade técnica.
Com a estreia do BUD em Piraquara e o olhar atento de Cuiabá sobre o modal, o tema renasce. A cidade volta a sonhar com um transporte moderno, porém com mais cautela, memória e pés no chão. Se o futuro será o BRT, o BUD ou até uma integração entre modalidades, o tempo dirá. Certo é que o “novo sonho cuiabano” foi reativado — e agora corre nas trilhas do debate público.